"Ora, a leveza não é a simplificação, nem o reducionismo, mas o bom voo que nos permite ver mais longe." Ítalo Calvino

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Escrevinhações...


Por mais clichê que possa parecer, Clarice Lispector sempre escreve,a meu ver, de um jeito a parecer que tirou de mim a inspiração.
Olhem esta:

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."

Extraído do livro "A Hora da Estrela", um dos meus preferidos, por ser tão diferente dos demais.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Só um desabafo...

Escrito em: 24/09/10

Hoje acordei com olhos de revolução. A guerra começou e o campo de batalha é a minha alma... todo o palco está em mim e o cenário sou eu. Já sinto os conflitos velados vindo à tona. Não há mais mentiras nem fingimento. Começo assumindo pra mim mesma o fracasso de uma escolha forçada... e o medo do recomeço. Temo pelos dias que virão e pelo tempo que demandará até que tudo se encaminhe!
Hoje, logo hoje que deveria ser o dia de maior alegria e perspectivas. Talvez Deus tenha escolhido este dia para que eu criasse forças para ver o que está por detrás de tantas máscaras.
Por sorte, é vida que recomeça.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Poesia, no mais profundo significado da palavra...

Em 07 de outubro de 2010.

NO VAZIO

Na ausência presente faz-se
quando me toma o reflexo do teu olhar
e quase enxergo tua face
quando a outros olhos volvo o observar

Como em meu peito marcado
não se apaga tua imagem de nobreza
não há gente, bicho ou lado
que à sua memória não padeça

É que basta um passo
nem é preciso uma caminhada
para que em cada espaço
tu te tornes eternizada

Não me ocorre outro motivo
nem outra razão parece haver
senão que é teu cativo
o mundo que abriga o teu viver

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A eterna busca pela felicidade...

"Não há caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho." Sábio foi quem disse isso. Repito suas palavras, mas com a convicção sempre abalada. Será tão fácil conseguir viver sempre sem esbarrar em momentos de dúvida e angústia? Ou serei eu a debilitada?

Há muito me culpo por ser uma pessoa reclamona. Não que ache que isso seja um defeito. Longe disso, admiro quem é capaz de reclamar na medida certa, quer isso represente militância de qualquer tipo, quer seja uma forma de humor, quer seja pra ser "do contra" mesmo. Entretanto, ao olhar em volta, tenho plena consciência de quanto fui abençoada - ou sortuda, para os incrédulos. E aí revejo meus propósitos de vida, que incluem tentar ser feliz com pouco, ser paciente e tolerante com as pessoas e trazê-las para a benção que é minha vida. O meio com o que faço isso é que é muitas vezes prejudicado pela minha mania de achar defeitos em tudo. E aí, a grande missão fica prejudicada. Ressaltar o defeito das pessoas me faz tê-las em um plano de rejeição, não consigo mais ser sincera na relação. Aquele curso que me parecia maravilhoso de repente se torna asqueroso, porque tenho que começar a estudar poucos pontos desagradáveis. A tão sonhada viagem de férias se torna um fardo por um simples desvio milimétrico nos meus planos. Muito se perde nesse caminho... perco muito além de pequenos momentos de felicidade, se vai também a ideia inicial de que a estrada deve ser a felicidade. E por isso, não consigo por em prática o que aquela sábia frase do início nos recomenda.

Entra aí minha reformulação: Não há caminho para a felicidade, tampouco a felicidade é o caminho. A felicidade é o querer ser feliz, ainda que seja triste de vez em quando.
E assim vou levando, tentando ser feliz e tentando acreditar mais na beleza do inesperado. E, acreditem, apesar de ranzinza por vezes, sendo feliz na maior parte da vida!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Onde está a honestidade? - 3

Contemplem a introdução do site do nosso excelentíssimo ex-Presidente da República, Fernando Collor de Mello.

www.collor.com


Espetáculo!



Collor wants YOU!

Onde está a honestidade? - 2


Mais uma letra de música bem coerente com o panorama político Brasileiro do início deste século.
Eis:


Vossa Excelência
Titãs
Estão nas mangas dos Senhores Ministros
Nas capas dos Senhores Magistrados
Nas golas dos Senhores Deputados
Nos fundilhos dos Senhores Vereadores
Nas perucas dos Senhores Senadores
Senhores!
Senhores!
Senhores!
Minha Senhora!
Senhores!
Senhores!
Filha da Puta!
Bandido!
Corrupto!
Ladrão!
Sorrindo para a câmera
Sem saber que estamos vendo
Chorando que dá pena
Quando sabem que estão em cena
Sorrindo para as câmeras
Sem saber que são filmados
""" Um dia o sol ainda vai nascer """
""" Quadrado """
Isso não prova nada!
Sob pressão da opinião pública
É que não haveremos de tomar nenhuma decisão!
Vamos esperar que tudo caia no esquecimento
Aí então...
Faça-se a justiça!
Vamos arrumar vossas acomodações, Excelência.
Filha da Puta! Bandido!
Corrupto! Ladrão!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Poesia urgente!

PRECE DE TUA VINDA

Caí em sono e no sonho era tua
corríamos um ao outro, sem guinada que viesse
mas não chegávamos ao encontro, como mar e lua
e novamente adormeci em prece

Que me fosse dado um dia de você
que o dia fosse eterno até o amor cansar
e mesmo com tanto fervor no pedido, cadê
o momento em que virá me tomar?

Se Deus Se ensuderceu a mim
e nada ouve além do meu desalento em pranto
espero que venhas como eu vim
e seja doce a descoberta, como teu olhar em canto

Em canto, meu encanto
de minha prece, não regresse
que te quero assim de um tanto
que sofri pra que viesse

Passa teu cigarro e sua bebida
não me prives de tua fala
não ocupes tua boca sofrida
se não for da minha, doce bala

Vem que te espero
menos que te quero






Constance von Krüger, em 14/09/2010. Não me copie sem os respectivos créditos ;-)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Letra de música para o fim do ócio virtual - 3

Música que fala por mim desde sempre, mas que tomou um sentido especial nos últimos tempos:

Sorte
Caetano Veloso e Gal Costa
Composição: Celso Fonseca/Ronaldo Bastos


Tudo de bom que você me fizer
Faz minha rima ficar mais rara
O que você faz me ajuda a cantar
Põe um sorriso na minha cara...

Meu amor, você me dá sorte
Meu amor!
Você me dá sorte meu amor!
Você me dá sorte
Na vida!...

Quando te vejo não saio do tom
Mas meu desejo já se repara
Me dá um beijo com tudo de bom
E acende a noite na Guanabara...

Meu amor, você me dá sorte
Meu amor!
Você me dá sorte meu amor!
Você me dá sorte
De cara!...

Tudo de bom que você me fizer
Faz minha rima ficar mais rara
O que você faz me ajuda a cantar
Põe um sorriso na minha cara...

Meu amor!
Você me dá sorte meu amor!
Você me dá sorte meu amor!
Você me dá sorte na vida!...

Quando te vejo não saio do tom
Mas meu desejo já se repara
Me dá um beijo com tudo de bom
E acende a noite na Guanabara...

Meu amor!
Você me dá sorte meu amor!
Você me dá sorte meu amor!
Você me dá sorte
De cara! (Na vida!)...

Meu amor!
Você me dá sorte meu amor!
Você me dá sorte meu amor!
Você me dá sorte
Na vida!...

De cara! Na vida!...

Meu amor!
Você me dá sorte meu amor!
Você me dá sorte meu amor!
Você me dá sorte
Na vida! (De cara!)...



Na foto, Gal e Caetano, dois amados!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Meu lado mulherzinha... ou homenzinho!

Agora há pouco me veio uma daquelas súbitas e inadiáveis vontades de escrever. Como estou muitíssimo sensibilizada e nervosa (TPM, sim), não pensei duas vezes antes de decidir sobre o que trataria: o universo feminino!
Não pretendo falar sobre tudo o que esse tema merece, mas vou dar uma discorrida geral sobre o que mais me orgulha e incomoda nesse meio em que, arbitrariamente, vivemos. E não pouparei vocabulário baixo e palavrões... esse é o meu momento de libertação! Por isso, que venham os tópicos:

1) Sobre TPM, menstruação e tudo aquilo:
SIM, TPM EXISTE! E não pensem vocês, homens, que é firula feminina não! A gente sofre psico e fisiologicamente com isso. Não são só cólicas e incômodos, é depressão, são instintos e ganas de matar, são momentos de solidão, e muita, muita, muuuita carência. É a pior semana do mês, sem pestanejar. Seguida dela, vem a segunda pior semana do mês: a menstruação. Entre o primeiro e sangrento dia, e o último e derradeiro gotejo de horror, vivemos, em média, de 5 a 7 dias de pesadelo. Temos que frequentar o banheiro diversas vezes, gastar os tubos em absorventes, que ficam mais finos e mais caros a cada dia... é um horror. Daí vem a semana de 'paz', mas dela tratarei depois. E por fim, chega a semana TP(TPM), que é a semana de tensão pré-TPM. Já sabendo que lá vem uma semaninha de merda, e tendo ovulado nesse período, não há cristã que fique 100%. Pronto, o mês acabou. Aí virão aqueles que, com muita podridão, dirão: "mas vocês tem 1 semana de descanso por mês". POOOOORRA, como ter uma semana de suposta paz sabendo que depois dela você terá que encarar mais 3 de devassidão hormonal? De estar de mal com o mundo e com, SOBRETUDO, os homens? Ah, vá à merda quem inventou esse raio de menstruar. Por que diabos não poderíamos ter um botão para determinar quando engravidar? Além de tudo, evitariam-se outros problemas. "Mas e a pílula anti-concepcional?". NÃO!!! A menos que uma mulher tome "seguidinho", ou seja, cartelas emendadas, ela ficará menstruada SIM. Os sintomas serão, teoricamente, menores. Mas no fim das contas é ruim pra caralho do mesmo jeito! E não, não tome pílula seguidinho por muito tempo, você vai inflar e ficar insuportável com os hormônios bagunçados.
Caberia agora falar sobre gravidez e dor do parto, mas assim que eu tiver essa experiência, eu adiciono aqui. (Espero que não seja tão em breve! rs)

2) Sobre o novo conceito de feminismo:
Há um tempão mulheres muito loucas e revolucionárias queimaram um sutiã em praça pública e decretaram igualdade entre os sexos. AHAM, mas cadê? Até hoje eu não achei. Ok, não pretendo que haja igualdade entre os sexos de fato, mesmo porque acho muitíssimo mais interessante o mundo feminino. Mas sim, quero igualdade de direitos para os sexos. E isso não se restringe a leis e tudo mais. Quero na prática, no cotidiano. Quero poder beber cerveja pra caramba e falar palavrão sem receber olhares tortos. Quero poder desejar antes de amar, quero poder amar quem eu quiser! Quero poder me achar porque dirijo muito bem! Quero poder sair e voltar pra casa com quem eu quiser, sem ter que dar satisfações, como faz meu irmão, bem mais novo que eu. Quero poder acordar de mau-humor e não ser chamada de complexada, falsa, esquisita, ou sei lá o quê. Sim, invejo bastante a simplicidade com que os homens vêem uns aos outros.
Meu feminismo não é aquele que deseja que mulheres trabalhem fora ou estejam na política. Isso já foi conquistado. Quero mesmo é poder falar CARALHO sem despertar o horror dos puritanos que me rodeiam.

3)Sobre corpo e moda:
Tá, tá certo, todo mundo tem que malhar e ser gostosão. Homens então, adoram uma academia. Mas convenhamos, a intolerância toda recai sobre as mulheres. Que mulher nunca achou uma gracinha aquele gordinho, ou aquele magricela? E aquela barriguinha de chopp, que fofo! O contrário? Fora de cogitação. Eu não me rendo, não deixo de comer o que gosto e muito menos passo na porta de uma academia. Então, tô nem aí, já disse? haha
E moda? Bem, admito que comprar bolsas e sapatos é uma delícia... passar horas me arrumando pra ir pra uma festa é um ritual! Mas, e o dia-a-dia? Meu sonho era poder colocar a primeira calça jeans que encontrasse, com qualquer camiseta e um tênis batido e estar linda!

4) Sobre coisas avulsas:
Mulher é pior dirigindo? Mulher não pode saber tocar violão? Mulher não gosta de rock? Mulher não pode ficar bêbada, e muito menos falar palavrão? Mulher não pode sair na rua sozinha e nem pegar táxi? Mulher tem que prezar pelo bem estar do maridinho e saber cozinhar? Tudo o que tenho a dizer é: HAHAHA, idiotas! (E digo isso sobretudo às mulheres machistas, que são, de longe, mais irritantes que os homens todos!)

5) Sobre banheiro feminino:
Odeio ir ao banheiro fora de casa! As mulheres sabem o que é ter que fazer xixi se equilibrando (e torneando as pernas), segurando a bolsa de 5 kg, segurando a porta pra ninguém entrar e ainda fofocando com alguma chata da cabine ao lado. Por isso vamos, sempre que possível, acompanhadas ao banheiro.


- Entendem agora, homens, porque nós, mulheres, quase sempre pertencemos ao Clube da Luluzinha? Entendem porque vamos juntas ao banheiro? Entendem porque sempre carregamos absorvente na bolsa mesmo fora da data? (Para emprestá-los, obviamente?)
- Entendem porque as mulheres se admiram tanto, a ponto de se desejarem? Há que lembrar que a doçura e a compreensão que se encontram numa amiga não há em nenhum amigo, a menos que ele seja bastante, muitíssimo gay (ou melhor, se ache uma mulher!)
- Sou triste de ser mulher? Jamais! Que chato seria ser homem e ter a vida toda padronizada, igualzinha à do cara ao lado.



VIVA MEU LADO MULHERZINHA!
MORRA MEU LADO MULHERZINHA!
Invejem-nos, homens!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Memória Acinzentada

O ano é 2060. Tenho quase 70 anos e uma bronquite asmática que não me concede boas noites de sono há tempos. Ainda moro no Brasil, ainda moro em Belo Horizonte, mas já não reconheço o lugar. o que antes era verde, cinza está. E o que entendíamos por poluição hoje se tornou nosso habitat.

É verdade que desde a infância escuto falar em preservação ambiental e isso cresceu ao longo do tempo, mas apenas no discurso. As iniciativas não-governamentais, muitas até comoventes, não aplacaram a ambição de quem queria que o verde-palmeira se transformasse em verde-dinheiro. As medidas do Governo não passaram de propaganda eleitoral. De quatro em quatro anos as matas seriam salvas e as águas voltariam a ser límpidas, mas só até que as urnas fossem apuradas. Vi, durante este tempo, jovens engajados e conscientes se tornarem adultos conformados que jogam lixo pela janela do carro. Vi a Mata Atlântica terminar de desaparecer, vi a Amazônia virar um campo de golfe, em dimensões. Vi cada vez mais gente fumando, apesar dos alertas e das proibições. Até eu fumei, e ainda fumo.

Hoje em dia entendo que a preservação do meio em que moramos transcende a questão puramente paisagística. Não podemos pensar numa floresta da mesma maneira que pensamos num jardim. A beleza das cores é o último motivo para se preservar. Hoje sinto na minha saúde o que o descaso representa. Minha pele envelhecida além do esperado por raios solares não mais filtrados, meu pulmão que, com cigarro ou não, já não acha o oxigênio necessário no ar, minha boca sedenta de água pura, tão cara que já não posso pagar.

Se eu pudesse dizer à minha geração, ainda em 2010, o que aprendi nesses 50 anos, diria o que falo hoje, aos meus netos: Entendam que a conservação ambiental e a boa administração dos recursos naturais não é simples cumprimento de protocolo. A vida de vocês está nas mãos de quem abraça a natureza. A saúde de vocês não é mercadoria frente outros supostos benefícios. Preservem o seu entorno, e então vivam bem!

Abro a janela do meu apartamento, no décimo quinto andar. Estou acima da camada de poluição visível, mas perto o bastante para sentir o mal que ela me faz.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Onde está a honestidade?

Em homenagem aos nossos queridos "honestos" do Brasil! Políticos, ou quaisquer outros cidadãos inescrupulosos:
Noel Rosa já vos cantava há quase um século!

ONDE ESTÁ A HONESTIDADE?
Noel Rosa


"Você tem palacete reluzente
Tem jóias e criados à vontade
Sem ter nenhuma herança ou parente
Só anda de automóvel na cidade...

E o povo já pergunta com maldade:
Onde está a honestidade?
Onde está a honestidade?

O seu dinheiro nasce de repente
E embora não se saiba se é verdade
Você acha nas ruas diariamente
Anéis, dinheiro e felicidade...

Vassoura dos salões da sociedade
Que varre o que encontrar em sua frente
Promove festivais de caridade
Em nome de qualquer defunto ausente..."

(Primeiro de uma série de posts que virão até AQUELE que tratará das Eleições 2010! Aguardem! rs)

domingo, 4 de julho de 2010

Sobre a Copa, e a futura Copa.


A Copa do Mundo da FIFA é, sabidamente, o maior evento do futebol em escala mundial. Reúne, a cada quatro anos, bilhões de pessoas, que se aglomeram no país-sede, ou mesmo em suas casas, em torno das televisões. Milhões de corações batem no mesmo compasso. Dezenas de idiomas, cores e sabores almejando a mesma coisa: a taça de ouro. No final, só uma seleção é campeã, só um país leva o caneco. Mas a alegria, ainda que efêmera, é de todos. A alegria de ver um show de abertura, ou ver uma Argentina ser eliminada é universal.
Toda essa movimentação que a Copa traz mexe muito comigo. Rouquidão, alegria, tristeza, gritos, lágrimas, orgulho, raiva, euforia, cerveja, amigos, ansiedade... tudo isso povoa nossa mente nessa época, que deveria, inclusive, ser feriado. Mas não é o que predomina. Ao viver um evento tão intenso, com data marcada para acabar, começo a extrapolar o seu significado, e trazê-lo pra minha vida pessoal. Recordações de 4 anos atrás, previsões pra daqui a 4 anos... é como se, por um tempo, nossa vida fosse quantizada em pacotes de Copas. O que eu estava fazendo na última? O que eu estarei fazendo na próxima?
Questões mais profundas começam a surgir e martelar na minha cabeça quando penso no calendário paralelo que O Evento estipula na vida de quem curte o mundial:
- O que eu fiz pra mudar o que me incomodava na Copa de 2006?
- Em que eu errei? Em que eu acertei? Quais as preocupações devo ter pra não cometer os mesmos erros no futuro?
- Como pude mudar tanto de opinião? Como pude alterar e 'desalterar' minhas decisões, que eu julgava pétreas?
- Como pude mudar tão pouco, na aparência?
- Quais pessoas entraram na minha vida? Quais saíram? Quem será que está chegando pra mim? Quem realmente fez/faz diferença?
- Os meus valores continuam os mesmos? Vão continuar daqui pra frente?
- O que espero do Brasil? O que o próximo presidente irá fazer? E o próximo técnico da Seleção?
- Será que esse Blog ainda vai existir? rs

É pensando nesse tipo de coisa, que me pergunto: O que são quatro anos na vida de uma pessoa? Pra quem vive 80 anos, não passam de 5%. Mas as decisões que tomamos, mudam nossa vida pra sempre? A saúde que ganhamos ou perdemos, altera nosso tempo de vida? As pessoas que agregamos ou repelimos, qual o seu real valor?
Tenho até medo da confusão mental que se cria quando me coloco essas questões. Por isso vou deixá-las por escrito aqui. Quem sabe, daqui a 4 anos, eu não abra o arquivo e ria bastante dessas minhas sempre bobas divagações? rs
Espero que estejamos muito felizes na próxima Copa, que será na nossa casa. E que a Seleção contribua pra isso!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Cópias baratas. Qual o real impacto?

Eis que um dia aprendi a ler. Qual foi a primeira coisa que disse pra minha mãe após isso? 'Mãe, quero ser escritora!'
Os anos se passaram, levei uns muitos choques de realidade, e descobri que ser escritor é mais que difícil, é doloroso. Descobri que, embora eu não tenha a capacidade (por enquanto!) de fazer textos ou contar histórias suficientemente bons pra serem publicados, posso sim colocar pra fora todo o conteúdo que não cabe em mim, e que só consigo externar de uma forma: Escrevendo.
Por isso tenho um blog, por isso tenho a minha pasta de textos, por isso meus presentes mais valorizados são sempre cartas. Por isso amo os livros, todos eles. Por isso escrevo poemas quando amo, quando sofro, quando fico entediada. Por isso não consigo ouvir uma música boa e não desejar ter sido a autora daqueles versos.
Sonho com o dia em que serei um pouco do que são meus maiores ídolos... de Chico Buarque a Vinícius de Moraes, Mário Prata, meu Pratinha contador de causos preferido... As mulheres que me entendem, da Lispector mais clichê à Lygia F. Telles, a mais genial de todas. Queria pra mim, um décimo que fosse, da cabeça de Lúcio Cardoso, de Machado de Assis. Da originalidade de Milton Hatoum. Queria a fantasia de Lewis Carroll, a complexidade de Eça de Queiróz. As ideias mais loucas e com sentido de Saramago, a enrolação-consciente de Graciliano Ramos. Queria só um pouquinho saber rimar como Bandeira, o maior de todos. E se fosse o Pedro Bandeira, que lindo seria contar histórias pra gente se formando. Queria de minha autoria os versos translúcidos da Cecília, a louca visão de mundo de João do Rio. Queria a infância contada de Fernando Sabino. Queria ser Rubem Braga, ou até Rubem Fonseca. De Paulo Coelho queria só a fama.
Queria ser alguém que fosse lida, verdadeiramente. Queria que interpretassem o que eu digo, e não simplesmente lessem por alto, achando que escrevi assim também, sem o mínimo de cuidado. Queria que entendessem que, apesar da falta de profissionalismo e formação direcionada a isto, a escrita é pra mim o meu maior amor, o meu refúgio certo de calma. A minha válvula de escape, o meu porto seguro, ou a expressão comum que queiram batizar.

Hoje escrevo este texto motivada por um fato que, por mais que muitos não entendam, mexeu muito comigo. Fui plagiada, sem referências mesmo. Não sei se por maldade, distração ou ignorância pura, um texto meu, que nem é dos meus preferidos, foi parar por aí. No início, só ódio eu senti. Ciúmes doentios do que havia saído não só da minha cabeça e da minha mão mas, sobretudo, do meu coração. Então, com mais clareza e calma, e ouvindo conselhos sinceros, descobri algumas vantagens: tem gente que gosta do que eu escrevo, com ou sem minha autoria expressa, leram o que eu quis que o mundo lesse e agora mais gente sabe da existência do meu blog.
Se isso for o início da minha meteórica carreira literária (rs), quero agradecer aos que me copiam.
Fica só uma dica: experimentem escrever o que o coração de vocês determinar. Não há no mundo duas pessoas que sintam igual. E se, ainda assim, eu for pra vocês o que um dos meus ídolos (citados acima) são pra mim, coloquem meu nome e me ajudem a ser mais famosa!



Beijos indignados.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O que sou...

Sou toda fogo, mas posso ser também só gelo. Ardo na medida do sentimento. E minha resposta é rápida: para amores ou ódios, logo surge a intensidade. Para as amenidades, vem a dor da calmaria, não menos intensa. E o que é ser intenso? Se é sentir com verdade, essa sou eu. Nada de fingir nem dissimular, prefiro a sinceridade. Quem recebe o meu sorriso certamente mereceu. Mas sem traumas, sou também bem fácil. Odeio por pouco, amo por menos ainda. Há quem me conquiste com uma palavra - falada ou escrita - ainda que perdida, sem um contexto que me atraia. Amo sorrisos, olhares e clareza. Amo muito também o mistério, a dúvida do bem-querer. Ah! Como me interesso por quem não me mostra o que sente por mim. Amo as dificuldades, os difíceis, as difíceis. Amo todos os tipos, odeio ter que escolher. Odeio escolher. Quero tudo e não quero nada. Não quero uma vida mais ou menos. Se não for pra ser vivida, que a vida acabe. Sou narrativa e sou poesia, mas não me venha com Paulo Coelho. Sou Chico e sou Elis, sou Beatles e sou música. Sou Dó Maior, Sol Dó Maior. Sou risada e sou piada, mas sou romance e sou tristeza. Sou o choro com soluços, o drama deitado na cama. Sou a revolta abraçando as pernas. Sou a volta por cima, cheia de planos. Sou sedentária e comilona, sou honesta e bem chata. Sou insuportável e bem idiota. Sou mentira quando precisa, sou ruim nisso e me entrego. Sou bêbada, sou feliz, sou dançante e não-fumante. Sou ciumenta. E o que é o ciúme senão a mais ingênua demonstração de amor? Sou ingênua. Sou vítima e algoz. Sou vontades inadiáveis e sou preguiça que se arrasta. Sou bobinha e às vezes séria. Sou cinéfila e toco violão. Mal. Sou blogueira, twitteira, orkuteira e tenho smartphone. Sou internet e sou nerd. Sou amante e sou amada. Sou fã. Sou apaixonada e estou apaixonada. Eles nem sabem. Nem elas. Sou assim. E assado. Sou e não sou. E era tudo ao contrário.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Letra de música para o fim do ócio virtual - 2

DOM QUIXOTE
Compositores: César Camargo Mariano & Lula Barbosa
Intérprete: Maria Rita


Cavaleiro andante estrela marginal
Sobre o Rocinante escravo de metal
Um acorde rasga o céu
Raio negro a cavalgar o som
E cavalgar sozinho... e cavalgar
Viverá pra sempre em nosso coração
O moinho vento nova geração
Um menino vai crescer
Procurando em cada olhar o amor
E caminhar, sozinho... e caminhar
Tanta gente se esconde do sonho com medo de sofrer
Tanta gente se esquece que é preciso viver
Combater moinhos, caminhar entre o medo e o prazer
Somos todos na vida, qualquer um de nós
Vilões e heróis, vilões e heróis
E seja onde for, qualquer lugar
Levar a luz que te conduz
Jamais abandonar o dom que te seduz
E seja onde for, qualquer lugar
Levar a luz que te conduz
Jamais abandonar o dom que te seduz

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Antigos escritos - 4

Estou muito atarefada ultimamente, então postarei um texto mais antigo, que é mais rápido transcrever do que criar. Este vou postar motivada pela adoção do ENEM pela UFMG como primeira etapa do Vestibular, o que eu considero um erro. (Mas isso é outro assunto).
Este texto que posto agora foi escrito em 14 de dezembro de 2009, acredito eu, mês mais produtivo da minha vida literária! rs
Eis:


A SORTE ESTÁ LANÇADA

A implantação do novo ENEM a partir desse ano reanimou a discussão sobre o vestibular, tema tão polêmico no país. As mudanças de avaliação, ainda que teóricas, suscitaram ideias sobre o possível fim do vestibular, na minha visão, impossível. Enquanto houver mais candidatos do que vagas, haverá seleção dos mais "preparados".

Foi pensando na eterna injustiça dos diversos meios de filtração que cheguei à conclusão de que a entrada na universidade tem que ser feita de outro modo. Sugiro sorteio. Embora pareça um método pouco válido,não é. A sorte é igual para todos e probabilidade é uma questão de acaso. Após cumprir uma série rígida de pré-requisitos, as pessoas poderiam se candidatar para o sorteio.

Já antecipando os contra-argumentos, não acredito no fim da meritocracia. Ela apenas seria adiada para o curso superior, e as pessoas provariam sua capacidade estando no meio acadêmico. Quanto à heterogeneidade de níveis de conhecimento das pessoas que entrassem, o problema seria resolvido nos primeiros anos do curso. Não há nada que um bom ciclo básico não nivele.

E, em último caso, se não for sorteado em cinco anos, o candidato é posto para dentro.
Talvez seja mais justo.




~*

Muita vida pra pouco tempo!

Sobram-me tarefas... falta-me tempo e disposição pra fazê-las. Fico pensando na preguiça e no desânimo. Quando vejo, perdi tempo pensando. Quando me animo então pra recomeçar, percebo que muito se passou enquanto estava desanimada... e aí me desanimo de novo.
Prezados e estimados poucos leitores, peço perdão pela ausência. Peço perdão a mim mesma por não saber minhas prioridades.
Peço tempo!


segunda-feira, 3 de maio de 2010

MARIA RITA, UM SHOW!

Após uma noite mal dormida de sábado, por causa da ansiedade, acordo ao meio dia de domingo. Dia especial. Meu time na final do campetonato (GALO CAMPEÃO!!!), SHOW DA MARIA RITA. Eita! Acordo com todo o gás!
Almoço na casa de vó, ansiedade comendo solta. Volto pra casa, tomar banho, assistir o jogo e me preparar para o show. Ansiedade aumentando. Arrumo minhas coisas, separo a câmera e as pilhas, apresso minha mãe e minha irmã, comemoro o título do meu time e tento controlar a ansiedade, já estou tremendo.
Vamos correndo para o Chevrolet Hall. Somos as primeiras na fila das cadeiras numeradas. Pra que tanta demora pra entrar? Entramos enfim, pulseirinhas alaranjadas totalmente VIP, muitas escadas pra subir. Chegamos, sentamos nas nossas cadeiras. Mamãe pede a champanhe, hoje merece. Bebemos... comemorar o que viria, diminuir a ansiedade, ocupar a mente durante as duas horas que ainda faltam. Batemos papo, olhamos o movimento das pessoas chegando. O tempo enfim passa.
As luzes se apagam, as cortinas se abrem. Lá está ela... na penumbra, a silhueta de uma mulher tão amada, tão desejada, tão querida, tão idolatrada... acima de tudo, tão real!

Com muitos gritos o Samba começa. No início meio tímido, vai ganhando força e expressão. Maria Rita solta a voz e me arrebata! Estou, mais uma vez, mergulhada neste momento. Não há mais nada, mais ninguém que interrompa o que eu vivo. Arrepio a todo instante, grito, canto, pulo, sambo (ao menos tento), desejo ouvir isso pra sempre. Escuto o discurso mais sincero, mais intenso, vejo choro, e choro junto. Sinto vontade de abraçá-la, agradecer pelo que me proporciona. Quero mostrá-la a intensidade do que sinto. E ela lá, maravilhosa, se entregando a nós.

O show continua, numa velocidade assustadora. Não, já passou da metade, quero tudo de novo! Ela troca de roupa, ficaria ainda mais linda, se fosse possível. Volta com tudo, canta Corpitcho e deixa o público eufórico. Canta, canta e não para mais.

Sai de novo. Agora vem a mais esperada de todas. "Não Deixe o Samba Morrer" regado a lágrimas, de cá e de lá. Não poderia ser outra. Não deixaremos o samba morrer jamais. SAMBA MEU não morrerá. É a última apresentação, a cantora emocionada sabe que valeu a pena. Nós agradecemos por ter acontecido. SM, o projeto que nasceu sem um rumo certo, se tornou o nosso rumo. Maria Rita, que já era a mais querida, se torna a indispensável.

O show acaba. Sento na minha cadeira e não arredo o pé. Espero que ela apareça pra um oizinho, que seja. Descubro uma fila se formando. E não é que ela vai tirar foto com todo mundo? É mesmo uma querida! Estou na fila, encontro conhecidos virtuais, rio até com minha mãe, mega empolgada! Estou no caminho do céu!
A nossa hora chega. Passamos pela grade, e outros furam nossa fila. Sem problemas, hoje tudo é festa. Vamos tirar a foto, em posição. Ela passa o braço no meu ombro, e eu sinto o cheiro dela. Que vontade de virar e dizer: OBRIGADA POR TUDO! Só consigo dizer um obrigada tímido. Entrego sem jeito minha carta, que nem sei se um dia será lida. Estou completa.


Estamos indo embora, chego em casa, transfiro as fotos e os vídeos pro computador. Escrevo no Blog. Ainda não percebi a grandeza dos sentimentos que possuo. Estou extática. Quero dizer ao mundo: como é bom ser fã da pessoa certa!

MARIA RITA, obrigada por ser peça fundamental da minha vida. Muita luz na nova Trajetória. Que o caminho seja doce, e que nossos reencontros sejam frequentes. A mulher que eu admiro, a cantora que me traduz, a sambista que me embala. Minha "ídola"! Quem entitulou meu blog, minha paixão. SUCESSO!

Se eu pudesse estar pra sempre presa em uma situação, o show da Maria Rita seria, sem dúvidas, forte concorrente!


Postagem mais antiga aqui no Blog, sobre a Cantora: http://dezdesatinos.blogspot.com/2010/01/momento-musical-maria-rita.html

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Poesia salva a alma...



''E que fique muito mal explicado. Não faço questão de ser entendido. Quem faz sentido é soldado.''
Mário Quintana

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Antigos escritos - 3


Texto de 28/12/2009



CIÊNCIA MAIS DEMOCRÁTICA

A construção do saber acompanha o ser humano desde os seus primórdios, antes mesmo que houvesse a consciência desse fenômeno. As inovações e tecnologias fazem parte, inclusive, do que se conhece por cultura de um povo. É impossível dissociar as práticas e costumes de uma sociedade do conhecimento construído por ela nesses processos.
No entanto, o acesso à ciência já foi, em diversas épocas, censurado por interesses distintos. A Idade Média com suas fogueiras e as ditaduras em vários locais do mundo durante o século XX são exemplos clássicos da barreira criada ao conhecimento. Essas situações foram, reconhecidamente, atrasos para a população que esteve submetida a elas. A falta de contato com a informação, seja ela de qualquer área do saber, resultou em gerações de alienados que ficaram impossibilitados de serem instrumentos de crescimento científico de seus países.
Hoje, com o advento da internet e a facilidade de comunicação, é fundamental que haja, por parte dos cientistas, divulgação de seus trabalhos e providências para que o acesso a essas informações seja irrestrito. A continuidade e a perpetuação do pensamento científico depende, sobretudo, do interesse dos jovens, que para ser despertado demanda contato com o meio acadêmico. Afinal, de que serviria a ciência se fosse exclusividade dos laboratórios? Qual seria seu propósito além de contribuir para o progresso da humanidade e de sua educação?



:)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Letra de música para o fim do ócio virtual

"How do you solve a problem like Maria
How do you catch a cloud and pin it down
How do you find a word that means Maria
A flibbertijibbet, a will o-the wisp, a clown
Many a thing you know you like to tell her
Many a thing she ought to understand
But how do you make her stay
And listen to all you say
How do you keep a wave upon the sand
Oh how do you solve a problem like Maria"


Música indicada pela minha amiga Luana. #NOVIÇAREBELDEFEELINGS


Depois volto mais ativa! bjs

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Antigos escritos - 2

Tema de hoje: POLÍTICA.
Texto de 07/12/09





O retrato da política brasileira nos primeiros anos do século XXI é um tanto deplorável. Ocupando posições de destaque negativo em rankings mundiais de corrupção, o Brasil virou notícia internacionalmente, sobretudo após o desenrolar das investigações sobre o arranjo de roubos feitos por parlamentares. Essa prática ficou conhecida como mensalão, e foi um gatilho para a descoberta da sujeira por debaixo do tapete.
Toda a irregularidade não foi, entretanto, punida com rigor. Após a onda de revolta decorrente dessa impunidade, porém, mais uma vez o cidadão se calou. E talvez seja esse o motivo pelo qual essa situação perdure. Esperar que os políticos sejam punidos por colegas é ilusório, visto que muitas vezes as mazelas de um estão atreladas às culpas de outro. A generalização é também utópica, mas o quadro leva a acreditar que são poucos os isentos de culpa.
O aspecto de desonestidade que se constrói não mudará enquanto a postura do cidadão não mudar. É preciso perceber a função do Legislativo, que vem sendo ofuscada pela do Executivo, já que este contém os personagens mais emblemáticos. A aproximação das pessoas do conceito real de cidadania é fundamental, para que entendam que devem ter postura crítica e exigir seus direitos não apenas de quatro em quatro anos. A culpa de toda a "bandalheira" não é restrita à Brasília.



//








Beijos sinceros ;)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Momento poético - 2

Seguindo conselhos do meu querido amigo Gustavo Bacha, o célebre Beiçola, vou adotar "poetisa" e abandonar de vez a generalização que "poeta" traz. "É mais classudo", diz ele.
No cardápio de hoje, um poema que me veio à cabeça após a leitura do livro "A Cidade do Sol/A Thousand Splendid Suns", de Khaled Hosseini, autor também de "O Caçador de Pipas". Livro maravilhoso, emocionante e cuja história deveria ser contada ao mundo.
[O Beiça querido tentou me ajudar no título também, sugeriu "Urbes em Solstício", mas acho que não combina muito. Obrigada, anyway. Aliás, não sei ser boa em títulos!]

Eis então o mais novo feito dessa pseudo-poetisa que vos escreve:





LUGAR AO SOL, LUGAR DO SOL

Fundo calabouço
sem grades, sem portões
guarda o jovem moço
e destroi suas emoções

Logo se entende
que nada vai adiantar
Se liberdade é o que pretende
chorar, berrar, lutar

Que jovem é este senão
o velho país que guarda
a moça, o moço afegão











:)

quarta-feira, 31 de março de 2010

Momento literário: Adeus China - O Último Bailarino de Mao

"Esta é a história de Li Cunxin - uma narrativa que poderia ter desaparecido, como as vidas de outros milhões de camponeses, em meio à revolução e ao caos. É uma história de coragem, de amor de mãe e do anseio por liberdade de um jovem. O relato belo e precioso de uma vida insporadora contado com honestidade."


Pensem em um livro emocionante, escrito com o coração. É assim que caracterizo "ADEUS CHINA - O Último Bailarino de Mao", autobiografia de Li Cunxin.
A história de Li gira basicamente em torno de sua saída da China em função do Ballet, e com isso a descoberta de um novo mundo.

O livro começa contando a infância do protagonista, na província de Qingdao, na China. Na época, após a Revolução Cultural de Mao, as pessoas viviam em uma situação de extrema miséria. A família Li, pelo grande número de filhos, fica resignada a se alimentar apenas de inhames secos, e dos bolinhos que a niang (mãe) fazia em datas especiais. O amor de mãe da niang e a força e coragem do dia (pai) são os responsáveis pela educação recebida por Cunxin e seus irmãos, fato que será determinante no seu sucesso na dança. A ida de Li à escola mostra como a educação foi encarada pelos seguidores de Mao. O tradicional livro vermelho é o companheiro inseparável de Li. Foi também na escola que foi selecionado para participar do Ballet de Madame Mao, o acontecimento que mudou sua vida.

A segunda parte da história se passa em Pequim, na academia de dança que Cunxin passa a pertencer, no início, com muito sofrimento. Sob a tutela de professores frios e exigentes, o menino começa a se acostumar ao sofrimento da solidão e ao medo do desconhecido. Aos poucos começa a fazer amigos e se destacar. Ao conhecer o professor Xiao, que se torna seu melhor conselheiro, Li decide que quer ser o melhor. Daí começa a sua carreira de sucesso.

Por fim, na terceira parte, Li Cunxin chega à América. É desertado e mais tarde acolhido novamente pelo seu país. Mas, após conhecer a terra da liberdade e ter apagada de sua mente a ideia errada de prisão e pobreza do Ocidente que tinham lhe imposto, Li decide permanecer nos Estados Unidos, onde consitui uma família com Mary, e se firma definitivamente como um dos maiores bailarinos clássicos do mundo.


As visitas à China se tornam mais frequentes e a ajuda financeira os proporciona uma vida mais tranquila.

"Um dia seria amigo do presidente e da primeira-dama, de astros de cinema e das pessoas mais influentes dos Estados Unidos. Seria uma estrela: o último bailarino de Mao, o queridinho do Ocidente."





E para a felicidade de muita gente (a minha está incluída!), neste ano será lançado o filme "Mao's Last Dancer". A estreia está prevista para Maio nos EUA. No Brasil, ainda não está definido. TRAILLER

sexta-feira, 26 de março de 2010

SUCESSO!

Como eu disse há 3 postagens, estava participando de uma promoção no site do Nando Reis. Ela consistia em adivinhar quem era o Nando em uma foto e, em seguida, enviar uma foto sua quando criança pra compor um mural que a produção dele estava montando. Mandei minha foto, obviamente. E não é que ela apareceu? rs

A foto original, publicada no site:




A foto mais de forma mais interessante rs:



E eu, criança:






Preciso dizer que estou super feliz de estar no site do Nando? E feliz por ele ter visto minha carinha, que nem mudou tanto de 15 anos pra cá? haha :)
Se precisa, estou MUITO feliz!! :):):):)
TE AMO, NR!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Momento poético

Uma poesia escrita hoje, 25 de março, sob a pressão de sentimentos urgentes, durante uma aula bem chata!
Dedicada a alguém :´)
OBS.: Como é a primeira poesia que posto aqui, vou deixar bem claro que sou completa e totalmente amadora. Ou seja, nada de críticas do tipo: falta métrica, sobram rimas, falta conteúdo ou sobram erros. Grata :)


There it goes:





POEMA DA AMADA

Sem apelo que se faça
sem custódia nem perdão
Não me sobra a carcaça
se dilaceras meu coração

Nos meus planos não estava
adorar-te até a alma
Liberdade eu cantava
antes do fim da minha calma


Me pôs fora do caminho
mas não me trouxe a paz
Se não tenho teu carinho
só a dor o amor traz


Se estás feliz, porém
que queixas posso ter?
Fico assim feliz também
Porque és meu bem querer

terça-feira, 23 de março de 2010

Antigos escritos - A Estreia!


Pretendo que esse seja o primeiro de muitos posts em que transcreverei textos antigos. Meus, é claro. Entendam por antigo o que não foi escrito neste ano - e isso pode mudar.


Começo com um artigo que escrevi em 14 de dezembro do ano passado, 2009. Ele foi motivado por um artigo do Kanitz, de quem sou fã.


Aí está:




A indefinição de felicidade


Definir o melhor conceito para a felicidade é uma das tarefas trazidas pelo século XXI. Vivemos o auge do caos, motivado em grande parte pelo sistema capitalista no qual estamos inseridos. Somos condicionados a acreditar que a plenitude consiste no poder da compra e no prestígio que isso traz.

A felicidade, entretanto, é uma definição flutuante. O que faz alguém feliz pode não ser motivo para tirar outra pessoa da melancolia ou do ceticismo. A tentativa de padronizar e vender esse estado de alegria como estratégia de marketing, portanto, tem suas falhas. Transformar em concreto um sentimento tão abstrato e particular é muito audacioso.

Há que se entender também que a felicidade idealizada é inalcançável. A ideia de que dependemos de uma perfeita conjuntura para que sejamos felizes por trazer ainda mais angústia. Nem sempre teremos todos nossos desejos realizados e surgirão situações que fugirão ao controle.

Não há receita para atingir um estado supremo, mas buscar conviver bem com os percalços é uma boa estratégia. Lembrar de coisas ruins e ter um pensamento pessimista atrapalham o caminho que se trilha ao buscar e ser feliz. A felicidade, como já dito por aí, não é nada além de boa saúde e memória fraca.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Momento musical: Nando Reis

Esse título logo aí em cima deveria ter outro nome. Momento sentimental, talvez. E como não? Dono da voz mais melodiosa que eu conheço, das letras mais cheias de coração, do melhor ritmo do mundo... como não ser loucamente apaixonada por José Fernando Gomes dos Reis?








E qual a motivação de citá-lo logo agora? Várias...

Sua nova música, "Pra Você Guardei o Amor" é, além de linda, um espelho da minha vida no momento. Tô guardando, tô guardando. ;) É dele com a Ana Cañas e tá no novo CD, Drês.

Além disso, dia 14 agora fez um ano do último show do NR que eu fui. Guardo bem a data, porque, além de ser a véspera do aniversário de uma amiga querida, a Maricota (que foi comigo ao show), o dia 14 (e madrugada de 15) de março do ano passado, foi um marco na minha vida. Mas isso são águas passadas...

E por fim, Nando está fazendo uma super brincadeira, no seu site oficial, em que está reunindo fotos dos fãs quando crianças. Óbvio que a minha está candidata a entrar no mural, por isso torçam por mim.





Post de hoje será assim curtinho, mas só pra atualizar o blog e deixar bem claro ao mundo o quando Nando deixa minha vida mais colorida. Muchas gracias.


E a quem possa interessar, o vídeo da música citada.

Beijos enormes de uma pessoa que gostaria de estar mais presente! :)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Momento musical: Chico Buarque


Cá estou eu, após um longo e tenebroso verão. Ou melhor, carnaval e suas consequências. Acordei hoje pensando que precisava vir aqui atualizar senão seria o início da morte de mais um blog querido. Portanto, estou aqui, sem muita inspiração, mas mortinha de saudades de escrever! Afinal, o máximo de palavras escritas nessa temporada foi a lista da minha mala rumo à folia.
Bem, pra marcar o retorno, nada melhor que falar de música. :) E quem melhor pra mexer comigo que o famoso dono dos olhos cor de água doce? Eis, em minha humilde leitura de fã apaixonada, Francisco Buarque de Hollanda.

Poderia vir aqui fazer uma colagem de críticos louvando o maior músico brasileiro contemporâneo (minha opinião. ou não), ou ainda comentar sua trajetória de sucesso e os fatos que marcaram e marcam sua longa carreira. Mas não. Prefiro charfudar nessa lama de sucesso com meu próprio focinho. (Deveriam me proibir de fazer umas analogias desse tipo.) E, para isso, vou contar como nosso romance começou (meu e do Chico, lógico.) :


Tudo começou quando, com uns 8, 9 anos, em um Carnaval em Ouro Preto (como de costume), um primo da minha mãe me viu cantando "Vai Passar" e ficou encantado com minha performance. Claro, quem não acharia uma gracinha uma pequena criança cantando Chico? Mas pra mim, até então, eu conhecia essa e outras músicas do mestre de ouvir por outros. Pais, rádio, vinis velhos... sim, sempre fui um pouquinho interessada em música de gente grande. E claro, metida que só eu, resolvi entrar mais a fundo nesse mundo. Navegando em uma internet discada, comecei a pesquisar a vida do futuro ídolo. Escutava, com imensa lentidão de download, os maiores sucessos. Mais tarde um pouco, quando aprendi a usar o eMule, na época o melhor segundo meu pai, baixei várias músicas, mesmo sem conhecê-las. Com enorme dificuldade, gravei meu primeiro CD. Era um regravável verde, que tenho até hoje num porta-CDs que nem abro mais. Mas tá lá, meu primeiro CD gravado, lá pras bandas de 2001.

É dispensável dizer que fui, a cada dia, aumentando mais minha coleção de músicas do Chico. E ao mesmo tempo, fui sendo mais admirada pelos "velhos" que achavam lindo que preferisse ouvir Cálice à música do LSJACK. Não que essa banda sumida não fosse ótima naquela época, quer dizer, amada pelos meus amiguinhos, mas eu realmente tinha um gosto peculiar. Foi nessa mesma época que ouvi risadas na aula de Português (5a série, se não me engano), ao vibrar por conhecer a música João e Maria, reproduzida na página do livro que a professora nos mandou abrir.

Fui crescendo e, quando realizei o sonho da Banda Larga, baixei a discografia completa. Ainda desconfio que ela não seja tão completa assim, ainda mais que na época o CD "Carioca" era apenas um projeto. Mas foi mais ou menos nessa época - 2004, 2005 - que "viciei". Era o dia inteiro no mp3 que cabia 32 músicas, ou no disc-man em casa. (é assim que se fala do toca-cds portátil?)

Em 2006, minha primeira decepção. (Primeira e única rs) Ao saber do show que meu ídolo faria aqui em Belo Horizonte, fiquei espevitadíssima e combinei com uma amiga de ir comprar ingressos numa quarta-feira à tarde, se não me engano. Na quarta pela manhã, porém, ao encontrar uns amigos do colégio que na época já estavam no terceiro ano, descobri que os ingressos já estavam esgotados. Matei o resto das aulas e chorei o dia todo. Foi horrível. E sim, tenho outra decepção sim. De até hoje não ter havido outro show, pra que eu possa me redimir.

Do show perdido, em diante, fui aumentando meu nível de conhecimento de mundo, mesmo porque estava no ensino médio e precisava ser um pouquinho mais antenada. E as letras de protesto, ou mesmo as mais descompromissadas, começaram a fazer ainda mais sentido pra mim. Foi aí então, que, além do meu amor incondicional, Chiquito ganhou meu enorme respeito e admiração.

E hoje, do alto dos meus dezenove anos, COF COF, continuo, se é que é possível, cada vez mais apaixonada.

E seremos felizes para sempre!



E embora o título do post sugira que falarei só de música, o homenageado da noite exige que eu pelo menos mencione outros detalhes. Citarei apenas coisas engraçadas ou não sobre nosso relacionamento:

* Descobri, com um leve atraso, que nãoooo, Chico não era filho do Aurélio, o do dicionário. Que lerda eu, não?

* Descobri também com um tempinho a mais que, sim, Sílvia Buarque, filha de Marieta Severo, era filha de Chico. Só não sei como não descobri antes, se os dois são idênticos! rs E descobri há pouquíssimo tempo que essa Sílvia, minha enteada rs, é casada com o Chico Diaz, aquele ator estranho que faz sempre papéis meio que secundários. Quantos Chicos hein, Sílvia? :)

* Li Budapeste, Estorvo e, no fim do ano passado, Leite Derramado, obras literárias do Chico. Sobre o último nem sei se encontro palavras pra descrever. Eulálio, o protagonista, é com certeza um desses personagens que passam a fazer parte da nossa vida, não desgrudam da cabeça. Sem falar em Matilde, que, concordem ou não, tem, pra mim, ares de Capitu. Sobretudo porque não temos a presença dela diretamente retratada, apenas a conhecemos pelo prisma de um velho meio gagá, o Eulálio.

* Quando fazia teatro, por volta de 2002, interpretei o Cachorro, dos Saltimbancos, peça de Chico. Sou até hoje apaixonada pelas músicas e pela história tão legal. :) Au au au ion ion onn miau miau miau cocorocó! haha

* Toda vez que vou ao Rio, chego a ficar com o pescoço dolorido de tanto olhar pros lados na esperança de esbarrar com o querido por acaso. Especialmente em Ipanema e no Leblon. rs

* Descobri a Miucha, uma cantora muito querida, por conta de ela ser irmã do Chico. Legal, né?

* Eu também trairía meu marido no mar, com Chico

* Chico torce pelo Fluminense, meu time no estado do Rio. :)

* Chico enfeita o cabeçalho deste blog. Será por quê?


Bom, fica aí um post bem mal organizado mas que é todo coração em homenagem ao meu mais querido cantor/compositor/escritor/homem. E perdoem a repetição do nome Chico, mas é que não acho substantivos suficientemente bons pra substituí-lo!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Brincar de gente grande?



Ano passado, na oficina de redação de textos, houve uma proposta de escrever uma narrativa abordando, criticamente, a infância. A sugestão passava por uma perda do brilho dessa idade. Daí fiz um texto que ganhou a nota total (hum, esnobe!), e gostei dele, dentro do possível, rs. Por isso, vou transcrevê-lo. Pequeno detalhe: não gosto do título. Qualquer sugestão é bem vinda! :) Taí:






SEMANA DAS CRIANÇAS





"Deveria ser proibido acordar cedo aos sábados", foi o que pensou a garota enquanto se levantava. Além de ser seu aniversário, era a primeira vez que trabalhava em um final de semana. Há dois meses sendo vendedora de loja, sua carga horária fora aumentada em função do dia das crianças que se aproximava.


Fazia tão pouco tempo que ela saíra dessa posição confortável: ser criança era talvez o maior presente no dia das crianças. A ausência de compromissos e a ligação tênue com a realidade foram os responsáveis pelos anos de ouro que viveu, sendo ora princesa, ora bailarina, ora mãe, ora filha. Agora era caixa de uma loja de brinquedos. O ônibus a levava para o mundo onde vendia fantasias e que despedaçava as suas próprias a cada dia - fantasias de menina que ainda não queria acordar do seu sonho cor-de-rosa.


Queria alertar as crianças. Queria lhes dizer que não se enganassem com o mundo em que viviam. Falaria a elas que logo encontrariam pessoas da sua idade pelas ruas, morrendo de fome. Diria-lhes para que não vivessem suas fantasias e que se preparassem para as responsabilidades que logo teriam. Gritaria a todos que a infância não é nada além de uma fase passageira, que logo levaria aos temores da vida adulta.


No entanto, não conseguiria dizer isso a criança alguma. O que queria, com seus recém-completados vinte e um anos, era apenas poder ser enganada por mais um tempo.

















Qualquer ligação com a realidade é mera coincidência ;)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Escrevamos, pois!

"Assídua" que sou ao Blog do Kanitz (pra quem não conhece, Stephen Kanitz, um ser maravilhoso e um escritor melhor ainda), andei lendo umas dicas e conselhos dele de como se escrever um livro, não muito explicitamente. Talvez não saiba ele que essa é a minha maior frustração. Tantos projetos de vida após a fama do meu livro, que ainda nem escrevi.

Não que não tenha começado, e como comecei. Aos 12, 13 anos, tentei começar a escrever uns cinco livros sobre a vida de uma adolescente descobrindo o mundo. Só entendo agora que quem escreve livros de adolescentes são geralmente mulheres bem vividas e que muito provavelmente acham graça de suas personagens, e não sofrem no lugar delas. (E nem fazem uma auto-biografia).
Depois, aos 15 anos, mais ou menos, achei que estava muito ciente das mazelas do mundo e da nossa imensa culpa, e comecei a escrever manifestos, cartas e mesmo um livro, nos quais reclamaria do mundo injusto, da corrupção, da fome, do estupro, da violência, da pobreza, da ignorância, do meu cabelo, enfim, tudo o que deve ser mudado no mundo. O que eu ainda não sabia era que a tosquice partia de mim, que escrevia pra mim mesma e esquecia que esses enormes problemas não dependiam da minha enorme capacidade literária.
Depois, aos 17, comecei a escrever aquele que seria, com certeza, um best-seller. Inspirada por Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos (livro não completo que eu só li metade), pensei em encarnar um preso,supostamente injustiçado. No final ele descobriria que realmente tinha cometido o tal crime. O livro, com até então 2 capítulos, tinha até título. E haja breguice: "Era uma vez a dor...". Tenho até hoje os rascunhos aqui no computador. E como desisti do livro? Após escrever sobre a confusão mental que o personagem vivia, seus dilemas e dores, chegou a hora de colocá-lo no meio dos outros presos. Aí me veio a epifania final/fatal: O QUE eu sei sobre o sistema carcerário? Além de que as prisões vivem cheias, abusam sexualmente dos mais afeminados e que há tráfico de tudo lá pra dentro? Então dei risada sozinha da minha prepotência.

Relendo o que Kanitz insinuou sobre a construção de um livro, cheguei a uma conclusão óbvia em essência, mas muito difícil de aceitar quando se tem aspirações de ser um Machado de Assis da contemporaneidade. AS PESSOAS TÊM QUE ESCREVER SOBRE O QUE SABEM. Senão fica superficial, raso, errôneo... chato! De nada adianta muita firula se não houver conhecimento de causa. Tá certo que Chico escreveu Budapeste sem nunca ter estado lá, mas o Chico tem o plus que nós, reles mortais, não temos.
E taí minha maior frustração. Não conheço nada o suficiente. Não conheço lugares a ponto de saber minúcias de sua população, não conheço os problemas sociais do meu bairro, quiçá do meu país. Não conheço por completo a história da música popular brasileira, que tanto gosto. Daí começam as questões mais filosóficas: Será que me conheço o suficiente pra escrever sobre mim?

Já que não tenho o conhecimento e nem a criatividade para inventar esse conhecimento, me subjugo a mais um blog, onde não tem problema eu ser muito infantil/trivial. Não tem críticos nem leitores metidos a me avaliar. :D

domingo, 31 de janeiro de 2010

Momento musical: Maria Rita

Há quem diga que ela não se iguala à mãe. Há quem diga que o seu sucesso se deve a ser filha de quem é. Discordo de ambos os pensamentos. Não menosprezando a eterna Elis Regina (não sou nem doida, né?), mas, sinceramente, sou muuuito mais Maria Rita. Talvez pelas músicas, não sei. Mas prefiro. E sobre quem fala que ela apenas herdou a fama, pensem bem. MR demorou a entrar no mercado da música, se preparando, porque ela sabia que o tiro tinha que ser certeiro, não haveria segunda chance. Foi lá e deixou o Brasil inteiro cantando os sucessos "Cara Valente", e "A Festa". Se fosse apenas euforia coletiva, o CD/DVD "Samba Meu" (que dá nome a este humilde blog), lançado 4 anos depois do disco de estreia, não teria hoje um disco de platina.

Hoje, domingueira, na casa da vovó, resolvi assistir (novamente) um dos meus DVDs preferidos, o SM, após ter o ouvido insistentemente no ipod e no CD. E não é que eu me arrepio toda vez? A intensidade e o ótimo gosto das músicas fazem a combinação perfeita. Não tem um minuto que nao seja fantástico. E é claro, a mulher que canta é um espetáculo, rs. As roupas dela são também maravilhosas!! É tudo perfeito. Um verdadeiro show.

Por deixar minha vida mais doce e musical, que eu dedico a essa deeva (rs) esse post! E deixo também minha reclamação! MR em BH, já!

sábado, 30 de janeiro de 2010

E sobre o nome do blog "Dez Desatinos"

Acredito que a vida seja feita de momentos, desatinos mesmo. Se vivo em uma eterna epifania ou em surtos de sentimentos, não sei. Só sei que "ela desatinou..." e ainda pretendo descobrir quais são os dez.
Confusa? Imagina...

Sobre ano novo, aniversário, vestibular, Lapa, Big Brother, férias...

Bem-vindos ao meu mais novo blog. Mais um. E sem a menor vergonha de dizer que o último não deu certo, rs. A vontade de escrever é maior que o medo do fracasso. Sabendo que não serei muito lida, nem ligo, eu preciso é vomitar tudo isso que estou guardando, desde que o meu diário/agenda de 2009 acabou.
Quem conviveu com os ensinamentos pré-UFMG do ano passado aprendeu com o irredutível Padre Vieira que, quando discursamos, devemos manter uma única matéria, para que o que temos a 'pregar' não se perca ao atingir quem nos ouve/lê. O ilustríssimo padre que me perdoe, mas preciso tratar de várias coisas no meu post inicial (o que não impede a retomada desses assuntos mais pra frente :D ).
Então, lá vai:
O ano novo começou. Após uma virada surpreendentemente divertida, fiz 19 anos e descobri que estou envelhecendo. Eu nunca consegui disassociar meu aniversário do reveillón... e acho que o fato desses eventos serem no mesmo dia não tem nada a ver. Quando ganho mais um ano de vida, me sinto renovada. O mesmo acontece quando troca o ano... todo mundo ganha mais 365 dias de fazer tudo diferente, ou tudo igual mesmo, e melhorar a cada dia. Renovar as ideias, as vontades, a coragem, os sentimentos... e, quem sabe, os conhecimentos? (mas isso é tema de outro tópico!). Entretanto, foi meu último aniversário TEEN, e isso me chocou. Tenho medo de deixar passar...
E esse ano já chegou com tudo. Já nos primeiros dias visitei a UFMG algumas vezes, pra fazer intermináveis provas. Alguns dias depois, chegou o resultado. Sim, passei ^^ e tô feliz (e isso é ooutro post).
Nesse entremeio fui pro Rio, um lugar que amo e que, tenho certeza, ainda será palco de um pedacinho da minha vida. Ou quem sabe um pedação. Como de costume, evitei a praia e, no único dia que fui, fiquei igual a um camarão. (estou a descascar até hoje). Mas o que mais me motiva a comentar é a tão famosa Lapa. Nunca tinha visitado e então me surpreendi. QUE LUGAR! A vida boêmia que sempre quis, rs. Me senti acompanhada pelo espírito do malandro, "na praça outra vez, caminhando na ponta dos pés...". Assisti a um show das Mulheres de Chico e, claro, me senti uma delas. Delírio ao som do meu preferido. E como não poderia deixar de ser, fiz o passeio típico do Rio de Janeiro... caminhar por Ipanema de olho nos passantes, pra ver se avisto Chico. Mais uma vez não tive sorte.
No orkut, tem uma comunidade que adoro e sobretudo respeito demais, a HoJE, quem conhece sabe o significado da sigla. Descobri que a sua dona, que é famosa no mundo virtual e cujo blog é um arraso, estava no BBB, a Elenita. Torço demais por ela, independentemente do comportamento dela na casa, o que aliás aprovo até agora, só por ela ter criado a comunidade, rsrs.
Nesse meio tempo, refleti sobre o que é o Big Brother. Taxado de fútil e imbecil, eu sempre assisti, e confesso que nunca me emburreceu. Fico pensando o por que do tamanho preconceito com o programa. O que eu acho que burrice é criar um esteriótipo. É claro que a maioria dos participantes, de todas as edições, não correspondem a um bom nível de intelecto, o que não anula a inteligência do programa em si. A convivência forçada, sob pressão, onde as pessoas usam de todos os métodos mais escusos pra ganhar dinheiro é uma excelente gaiola de observação do comportamento humano e também da sociedade. As pessoas foram literalmente segregadas por um preconceito bobo, em chamadas tribos. Quem disse que um "colorido" não é "belo", e um "sarado" não é "ligado". E quem disse que um "cabeça" não pode ser "colorido"? Poupe-me. Mas isso é o retrato lindo da sociedade em que vivemos. Às vezes, ser gorda anula o fato de uma mulher ser bonita. Ser bonito, anula o fato de um homem ser inteligente. Ser inteligente impede uma pessoa de ter bom preparo físico? E ser rica, a torna arrogante? Mais uma vez tô impressionada (no melhor sentido) com as sutilezas do programa. Acredito que quem vai ganhar será quem conseguir transpor essas barreiras iniciais, sem se utilizar, necessariamente, de uma bela bunda (Não que uma bunduda seja menos digna!).
E se interessa saber, torço pela Elenita e pela Angélica, além de me simpatizar com o Cadu.


Sobre, as férias... bem, esse blog é uma consequência delas. :)