"Ora, a leveza não é a simplificação, nem o reducionismo, mas o bom voo que nos permite ver mais longe." Ítalo Calvino

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Momento musical: Chico Buarque


Cá estou eu, após um longo e tenebroso verão. Ou melhor, carnaval e suas consequências. Acordei hoje pensando que precisava vir aqui atualizar senão seria o início da morte de mais um blog querido. Portanto, estou aqui, sem muita inspiração, mas mortinha de saudades de escrever! Afinal, o máximo de palavras escritas nessa temporada foi a lista da minha mala rumo à folia.
Bem, pra marcar o retorno, nada melhor que falar de música. :) E quem melhor pra mexer comigo que o famoso dono dos olhos cor de água doce? Eis, em minha humilde leitura de fã apaixonada, Francisco Buarque de Hollanda.

Poderia vir aqui fazer uma colagem de críticos louvando o maior músico brasileiro contemporâneo (minha opinião. ou não), ou ainda comentar sua trajetória de sucesso e os fatos que marcaram e marcam sua longa carreira. Mas não. Prefiro charfudar nessa lama de sucesso com meu próprio focinho. (Deveriam me proibir de fazer umas analogias desse tipo.) E, para isso, vou contar como nosso romance começou (meu e do Chico, lógico.) :


Tudo começou quando, com uns 8, 9 anos, em um Carnaval em Ouro Preto (como de costume), um primo da minha mãe me viu cantando "Vai Passar" e ficou encantado com minha performance. Claro, quem não acharia uma gracinha uma pequena criança cantando Chico? Mas pra mim, até então, eu conhecia essa e outras músicas do mestre de ouvir por outros. Pais, rádio, vinis velhos... sim, sempre fui um pouquinho interessada em música de gente grande. E claro, metida que só eu, resolvi entrar mais a fundo nesse mundo. Navegando em uma internet discada, comecei a pesquisar a vida do futuro ídolo. Escutava, com imensa lentidão de download, os maiores sucessos. Mais tarde um pouco, quando aprendi a usar o eMule, na época o melhor segundo meu pai, baixei várias músicas, mesmo sem conhecê-las. Com enorme dificuldade, gravei meu primeiro CD. Era um regravável verde, que tenho até hoje num porta-CDs que nem abro mais. Mas tá lá, meu primeiro CD gravado, lá pras bandas de 2001.

É dispensável dizer que fui, a cada dia, aumentando mais minha coleção de músicas do Chico. E ao mesmo tempo, fui sendo mais admirada pelos "velhos" que achavam lindo que preferisse ouvir Cálice à música do LSJACK. Não que essa banda sumida não fosse ótima naquela época, quer dizer, amada pelos meus amiguinhos, mas eu realmente tinha um gosto peculiar. Foi nessa mesma época que ouvi risadas na aula de Português (5a série, se não me engano), ao vibrar por conhecer a música João e Maria, reproduzida na página do livro que a professora nos mandou abrir.

Fui crescendo e, quando realizei o sonho da Banda Larga, baixei a discografia completa. Ainda desconfio que ela não seja tão completa assim, ainda mais que na época o CD "Carioca" era apenas um projeto. Mas foi mais ou menos nessa época - 2004, 2005 - que "viciei". Era o dia inteiro no mp3 que cabia 32 músicas, ou no disc-man em casa. (é assim que se fala do toca-cds portátil?)

Em 2006, minha primeira decepção. (Primeira e única rs) Ao saber do show que meu ídolo faria aqui em Belo Horizonte, fiquei espevitadíssima e combinei com uma amiga de ir comprar ingressos numa quarta-feira à tarde, se não me engano. Na quarta pela manhã, porém, ao encontrar uns amigos do colégio que na época já estavam no terceiro ano, descobri que os ingressos já estavam esgotados. Matei o resto das aulas e chorei o dia todo. Foi horrível. E sim, tenho outra decepção sim. De até hoje não ter havido outro show, pra que eu possa me redimir.

Do show perdido, em diante, fui aumentando meu nível de conhecimento de mundo, mesmo porque estava no ensino médio e precisava ser um pouquinho mais antenada. E as letras de protesto, ou mesmo as mais descompromissadas, começaram a fazer ainda mais sentido pra mim. Foi aí então, que, além do meu amor incondicional, Chiquito ganhou meu enorme respeito e admiração.

E hoje, do alto dos meus dezenove anos, COF COF, continuo, se é que é possível, cada vez mais apaixonada.

E seremos felizes para sempre!



E embora o título do post sugira que falarei só de música, o homenageado da noite exige que eu pelo menos mencione outros detalhes. Citarei apenas coisas engraçadas ou não sobre nosso relacionamento:

* Descobri, com um leve atraso, que nãoooo, Chico não era filho do Aurélio, o do dicionário. Que lerda eu, não?

* Descobri também com um tempinho a mais que, sim, Sílvia Buarque, filha de Marieta Severo, era filha de Chico. Só não sei como não descobri antes, se os dois são idênticos! rs E descobri há pouquíssimo tempo que essa Sílvia, minha enteada rs, é casada com o Chico Diaz, aquele ator estranho que faz sempre papéis meio que secundários. Quantos Chicos hein, Sílvia? :)

* Li Budapeste, Estorvo e, no fim do ano passado, Leite Derramado, obras literárias do Chico. Sobre o último nem sei se encontro palavras pra descrever. Eulálio, o protagonista, é com certeza um desses personagens que passam a fazer parte da nossa vida, não desgrudam da cabeça. Sem falar em Matilde, que, concordem ou não, tem, pra mim, ares de Capitu. Sobretudo porque não temos a presença dela diretamente retratada, apenas a conhecemos pelo prisma de um velho meio gagá, o Eulálio.

* Quando fazia teatro, por volta de 2002, interpretei o Cachorro, dos Saltimbancos, peça de Chico. Sou até hoje apaixonada pelas músicas e pela história tão legal. :) Au au au ion ion onn miau miau miau cocorocó! haha

* Toda vez que vou ao Rio, chego a ficar com o pescoço dolorido de tanto olhar pros lados na esperança de esbarrar com o querido por acaso. Especialmente em Ipanema e no Leblon. rs

* Descobri a Miucha, uma cantora muito querida, por conta de ela ser irmã do Chico. Legal, né?

* Eu também trairía meu marido no mar, com Chico

* Chico torce pelo Fluminense, meu time no estado do Rio. :)

* Chico enfeita o cabeçalho deste blog. Será por quê?


Bom, fica aí um post bem mal organizado mas que é todo coração em homenagem ao meu mais querido cantor/compositor/escritor/homem. E perdoem a repetição do nome Chico, mas é que não acho substantivos suficientemente bons pra substituí-lo!

Um comentário:

  1. Curte LS Jack? Dá uma ouvida no som do Bleffe

    http://bit.ly/2wJdCC

    Se gostar, pode baixar, é DE GRAÇA!!! -

    http://bit.ly/4LPNUD

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