"Ora, a leveza não é a simplificação, nem o reducionismo, mas o bom voo que nos permite ver mais longe." Ítalo Calvino

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Cópias baratas. Qual o real impacto?

Eis que um dia aprendi a ler. Qual foi a primeira coisa que disse pra minha mãe após isso? 'Mãe, quero ser escritora!'
Os anos se passaram, levei uns muitos choques de realidade, e descobri que ser escritor é mais que difícil, é doloroso. Descobri que, embora eu não tenha a capacidade (por enquanto!) de fazer textos ou contar histórias suficientemente bons pra serem publicados, posso sim colocar pra fora todo o conteúdo que não cabe em mim, e que só consigo externar de uma forma: Escrevendo.
Por isso tenho um blog, por isso tenho a minha pasta de textos, por isso meus presentes mais valorizados são sempre cartas. Por isso amo os livros, todos eles. Por isso escrevo poemas quando amo, quando sofro, quando fico entediada. Por isso não consigo ouvir uma música boa e não desejar ter sido a autora daqueles versos.
Sonho com o dia em que serei um pouco do que são meus maiores ídolos... de Chico Buarque a Vinícius de Moraes, Mário Prata, meu Pratinha contador de causos preferido... As mulheres que me entendem, da Lispector mais clichê à Lygia F. Telles, a mais genial de todas. Queria pra mim, um décimo que fosse, da cabeça de Lúcio Cardoso, de Machado de Assis. Da originalidade de Milton Hatoum. Queria a fantasia de Lewis Carroll, a complexidade de Eça de Queiróz. As ideias mais loucas e com sentido de Saramago, a enrolação-consciente de Graciliano Ramos. Queria só um pouquinho saber rimar como Bandeira, o maior de todos. E se fosse o Pedro Bandeira, que lindo seria contar histórias pra gente se formando. Queria de minha autoria os versos translúcidos da Cecília, a louca visão de mundo de João do Rio. Queria a infância contada de Fernando Sabino. Queria ser Rubem Braga, ou até Rubem Fonseca. De Paulo Coelho queria só a fama.
Queria ser alguém que fosse lida, verdadeiramente. Queria que interpretassem o que eu digo, e não simplesmente lessem por alto, achando que escrevi assim também, sem o mínimo de cuidado. Queria que entendessem que, apesar da falta de profissionalismo e formação direcionada a isto, a escrita é pra mim o meu maior amor, o meu refúgio certo de calma. A minha válvula de escape, o meu porto seguro, ou a expressão comum que queiram batizar.

Hoje escrevo este texto motivada por um fato que, por mais que muitos não entendam, mexeu muito comigo. Fui plagiada, sem referências mesmo. Não sei se por maldade, distração ou ignorância pura, um texto meu, que nem é dos meus preferidos, foi parar por aí. No início, só ódio eu senti. Ciúmes doentios do que havia saído não só da minha cabeça e da minha mão mas, sobretudo, do meu coração. Então, com mais clareza e calma, e ouvindo conselhos sinceros, descobri algumas vantagens: tem gente que gosta do que eu escrevo, com ou sem minha autoria expressa, leram o que eu quis que o mundo lesse e agora mais gente sabe da existência do meu blog.
Se isso for o início da minha meteórica carreira literária (rs), quero agradecer aos que me copiam.
Fica só uma dica: experimentem escrever o que o coração de vocês determinar. Não há no mundo duas pessoas que sintam igual. E se, ainda assim, eu for pra vocês o que um dos meus ídolos (citados acima) são pra mim, coloquem meu nome e me ajudem a ser mais famosa!



Beijos indignados.

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