"Ora, a leveza não é a simplificação, nem o reducionismo, mas o bom voo que nos permite ver mais longe." Ítalo Calvino

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Meu lado mulherzinha... ou homenzinho!

Agora há pouco me veio uma daquelas súbitas e inadiáveis vontades de escrever. Como estou muitíssimo sensibilizada e nervosa (TPM, sim), não pensei duas vezes antes de decidir sobre o que trataria: o universo feminino!
Não pretendo falar sobre tudo o que esse tema merece, mas vou dar uma discorrida geral sobre o que mais me orgulha e incomoda nesse meio em que, arbitrariamente, vivemos. E não pouparei vocabulário baixo e palavrões... esse é o meu momento de libertação! Por isso, que venham os tópicos:

1) Sobre TPM, menstruação e tudo aquilo:
SIM, TPM EXISTE! E não pensem vocês, homens, que é firula feminina não! A gente sofre psico e fisiologicamente com isso. Não são só cólicas e incômodos, é depressão, são instintos e ganas de matar, são momentos de solidão, e muita, muita, muuuita carência. É a pior semana do mês, sem pestanejar. Seguida dela, vem a segunda pior semana do mês: a menstruação. Entre o primeiro e sangrento dia, e o último e derradeiro gotejo de horror, vivemos, em média, de 5 a 7 dias de pesadelo. Temos que frequentar o banheiro diversas vezes, gastar os tubos em absorventes, que ficam mais finos e mais caros a cada dia... é um horror. Daí vem a semana de 'paz', mas dela tratarei depois. E por fim, chega a semana TP(TPM), que é a semana de tensão pré-TPM. Já sabendo que lá vem uma semaninha de merda, e tendo ovulado nesse período, não há cristã que fique 100%. Pronto, o mês acabou. Aí virão aqueles que, com muita podridão, dirão: "mas vocês tem 1 semana de descanso por mês". POOOOORRA, como ter uma semana de suposta paz sabendo que depois dela você terá que encarar mais 3 de devassidão hormonal? De estar de mal com o mundo e com, SOBRETUDO, os homens? Ah, vá à merda quem inventou esse raio de menstruar. Por que diabos não poderíamos ter um botão para determinar quando engravidar? Além de tudo, evitariam-se outros problemas. "Mas e a pílula anti-concepcional?". NÃO!!! A menos que uma mulher tome "seguidinho", ou seja, cartelas emendadas, ela ficará menstruada SIM. Os sintomas serão, teoricamente, menores. Mas no fim das contas é ruim pra caralho do mesmo jeito! E não, não tome pílula seguidinho por muito tempo, você vai inflar e ficar insuportável com os hormônios bagunçados.
Caberia agora falar sobre gravidez e dor do parto, mas assim que eu tiver essa experiência, eu adiciono aqui. (Espero que não seja tão em breve! rs)

2) Sobre o novo conceito de feminismo:
Há um tempão mulheres muito loucas e revolucionárias queimaram um sutiã em praça pública e decretaram igualdade entre os sexos. AHAM, mas cadê? Até hoje eu não achei. Ok, não pretendo que haja igualdade entre os sexos de fato, mesmo porque acho muitíssimo mais interessante o mundo feminino. Mas sim, quero igualdade de direitos para os sexos. E isso não se restringe a leis e tudo mais. Quero na prática, no cotidiano. Quero poder beber cerveja pra caramba e falar palavrão sem receber olhares tortos. Quero poder desejar antes de amar, quero poder amar quem eu quiser! Quero poder me achar porque dirijo muito bem! Quero poder sair e voltar pra casa com quem eu quiser, sem ter que dar satisfações, como faz meu irmão, bem mais novo que eu. Quero poder acordar de mau-humor e não ser chamada de complexada, falsa, esquisita, ou sei lá o quê. Sim, invejo bastante a simplicidade com que os homens vêem uns aos outros.
Meu feminismo não é aquele que deseja que mulheres trabalhem fora ou estejam na política. Isso já foi conquistado. Quero mesmo é poder falar CARALHO sem despertar o horror dos puritanos que me rodeiam.

3)Sobre corpo e moda:
Tá, tá certo, todo mundo tem que malhar e ser gostosão. Homens então, adoram uma academia. Mas convenhamos, a intolerância toda recai sobre as mulheres. Que mulher nunca achou uma gracinha aquele gordinho, ou aquele magricela? E aquela barriguinha de chopp, que fofo! O contrário? Fora de cogitação. Eu não me rendo, não deixo de comer o que gosto e muito menos passo na porta de uma academia. Então, tô nem aí, já disse? haha
E moda? Bem, admito que comprar bolsas e sapatos é uma delícia... passar horas me arrumando pra ir pra uma festa é um ritual! Mas, e o dia-a-dia? Meu sonho era poder colocar a primeira calça jeans que encontrasse, com qualquer camiseta e um tênis batido e estar linda!

4) Sobre coisas avulsas:
Mulher é pior dirigindo? Mulher não pode saber tocar violão? Mulher não gosta de rock? Mulher não pode ficar bêbada, e muito menos falar palavrão? Mulher não pode sair na rua sozinha e nem pegar táxi? Mulher tem que prezar pelo bem estar do maridinho e saber cozinhar? Tudo o que tenho a dizer é: HAHAHA, idiotas! (E digo isso sobretudo às mulheres machistas, que são, de longe, mais irritantes que os homens todos!)

5) Sobre banheiro feminino:
Odeio ir ao banheiro fora de casa! As mulheres sabem o que é ter que fazer xixi se equilibrando (e torneando as pernas), segurando a bolsa de 5 kg, segurando a porta pra ninguém entrar e ainda fofocando com alguma chata da cabine ao lado. Por isso vamos, sempre que possível, acompanhadas ao banheiro.


- Entendem agora, homens, porque nós, mulheres, quase sempre pertencemos ao Clube da Luluzinha? Entendem porque vamos juntas ao banheiro? Entendem porque sempre carregamos absorvente na bolsa mesmo fora da data? (Para emprestá-los, obviamente?)
- Entendem porque as mulheres se admiram tanto, a ponto de se desejarem? Há que lembrar que a doçura e a compreensão que se encontram numa amiga não há em nenhum amigo, a menos que ele seja bastante, muitíssimo gay (ou melhor, se ache uma mulher!)
- Sou triste de ser mulher? Jamais! Que chato seria ser homem e ter a vida toda padronizada, igualzinha à do cara ao lado.



VIVA MEU LADO MULHERZINHA!
MORRA MEU LADO MULHERZINHA!
Invejem-nos, homens!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Memória Acinzentada

O ano é 2060. Tenho quase 70 anos e uma bronquite asmática que não me concede boas noites de sono há tempos. Ainda moro no Brasil, ainda moro em Belo Horizonte, mas já não reconheço o lugar. o que antes era verde, cinza está. E o que entendíamos por poluição hoje se tornou nosso habitat.

É verdade que desde a infância escuto falar em preservação ambiental e isso cresceu ao longo do tempo, mas apenas no discurso. As iniciativas não-governamentais, muitas até comoventes, não aplacaram a ambição de quem queria que o verde-palmeira se transformasse em verde-dinheiro. As medidas do Governo não passaram de propaganda eleitoral. De quatro em quatro anos as matas seriam salvas e as águas voltariam a ser límpidas, mas só até que as urnas fossem apuradas. Vi, durante este tempo, jovens engajados e conscientes se tornarem adultos conformados que jogam lixo pela janela do carro. Vi a Mata Atlântica terminar de desaparecer, vi a Amazônia virar um campo de golfe, em dimensões. Vi cada vez mais gente fumando, apesar dos alertas e das proibições. Até eu fumei, e ainda fumo.

Hoje em dia entendo que a preservação do meio em que moramos transcende a questão puramente paisagística. Não podemos pensar numa floresta da mesma maneira que pensamos num jardim. A beleza das cores é o último motivo para se preservar. Hoje sinto na minha saúde o que o descaso representa. Minha pele envelhecida além do esperado por raios solares não mais filtrados, meu pulmão que, com cigarro ou não, já não acha o oxigênio necessário no ar, minha boca sedenta de água pura, tão cara que já não posso pagar.

Se eu pudesse dizer à minha geração, ainda em 2010, o que aprendi nesses 50 anos, diria o que falo hoje, aos meus netos: Entendam que a conservação ambiental e a boa administração dos recursos naturais não é simples cumprimento de protocolo. A vida de vocês está nas mãos de quem abraça a natureza. A saúde de vocês não é mercadoria frente outros supostos benefícios. Preservem o seu entorno, e então vivam bem!

Abro a janela do meu apartamento, no décimo quinto andar. Estou acima da camada de poluição visível, mas perto o bastante para sentir o mal que ela me faz.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Onde está a honestidade?

Em homenagem aos nossos queridos "honestos" do Brasil! Políticos, ou quaisquer outros cidadãos inescrupulosos:
Noel Rosa já vos cantava há quase um século!

ONDE ESTÁ A HONESTIDADE?
Noel Rosa


"Você tem palacete reluzente
Tem jóias e criados à vontade
Sem ter nenhuma herança ou parente
Só anda de automóvel na cidade...

E o povo já pergunta com maldade:
Onde está a honestidade?
Onde está a honestidade?

O seu dinheiro nasce de repente
E embora não se saiba se é verdade
Você acha nas ruas diariamente
Anéis, dinheiro e felicidade...

Vassoura dos salões da sociedade
Que varre o que encontrar em sua frente
Promove festivais de caridade
Em nome de qualquer defunto ausente..."

(Primeiro de uma série de posts que virão até AQUELE que tratará das Eleições 2010! Aguardem! rs)

domingo, 4 de julho de 2010

Sobre a Copa, e a futura Copa.


A Copa do Mundo da FIFA é, sabidamente, o maior evento do futebol em escala mundial. Reúne, a cada quatro anos, bilhões de pessoas, que se aglomeram no país-sede, ou mesmo em suas casas, em torno das televisões. Milhões de corações batem no mesmo compasso. Dezenas de idiomas, cores e sabores almejando a mesma coisa: a taça de ouro. No final, só uma seleção é campeã, só um país leva o caneco. Mas a alegria, ainda que efêmera, é de todos. A alegria de ver um show de abertura, ou ver uma Argentina ser eliminada é universal.
Toda essa movimentação que a Copa traz mexe muito comigo. Rouquidão, alegria, tristeza, gritos, lágrimas, orgulho, raiva, euforia, cerveja, amigos, ansiedade... tudo isso povoa nossa mente nessa época, que deveria, inclusive, ser feriado. Mas não é o que predomina. Ao viver um evento tão intenso, com data marcada para acabar, começo a extrapolar o seu significado, e trazê-lo pra minha vida pessoal. Recordações de 4 anos atrás, previsões pra daqui a 4 anos... é como se, por um tempo, nossa vida fosse quantizada em pacotes de Copas. O que eu estava fazendo na última? O que eu estarei fazendo na próxima?
Questões mais profundas começam a surgir e martelar na minha cabeça quando penso no calendário paralelo que O Evento estipula na vida de quem curte o mundial:
- O que eu fiz pra mudar o que me incomodava na Copa de 2006?
- Em que eu errei? Em que eu acertei? Quais as preocupações devo ter pra não cometer os mesmos erros no futuro?
- Como pude mudar tanto de opinião? Como pude alterar e 'desalterar' minhas decisões, que eu julgava pétreas?
- Como pude mudar tão pouco, na aparência?
- Quais pessoas entraram na minha vida? Quais saíram? Quem será que está chegando pra mim? Quem realmente fez/faz diferença?
- Os meus valores continuam os mesmos? Vão continuar daqui pra frente?
- O que espero do Brasil? O que o próximo presidente irá fazer? E o próximo técnico da Seleção?
- Será que esse Blog ainda vai existir? rs

É pensando nesse tipo de coisa, que me pergunto: O que são quatro anos na vida de uma pessoa? Pra quem vive 80 anos, não passam de 5%. Mas as decisões que tomamos, mudam nossa vida pra sempre? A saúde que ganhamos ou perdemos, altera nosso tempo de vida? As pessoas que agregamos ou repelimos, qual o seu real valor?
Tenho até medo da confusão mental que se cria quando me coloco essas questões. Por isso vou deixá-las por escrito aqui. Quem sabe, daqui a 4 anos, eu não abra o arquivo e ria bastante dessas minhas sempre bobas divagações? rs
Espero que estejamos muito felizes na próxima Copa, que será na nossa casa. E que a Seleção contribua pra isso!