"Ora, a leveza não é a simplificação, nem o reducionismo, mas o bom voo que nos permite ver mais longe." Ítalo Calvino

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Diga xis!

Eu sempre gostei muito de fotografia. Fotografo bem mais ou menos e não entendo nada, mas adoro! Lembro-me claramente de todas as “câmeras” que tive na infância. Desde as de mentirinha, de plástico, até as que herdava dos pais ou dos avós, todas analógicas, obviamente. Tive uma super criativa, que ganhei de um tio, que nos permitia fazer efeitos engraçados, colocar fundos diferentes em cada foto, sobrepor imagens e etc.. Tenho fresca na memória também a primeira vez em que vi uma câmera digital. Era enorme, mas o recurso de poder apagar a foto quantas vezes fosse necessário até encontrar a melhor, era fantástico à primeira vista. Por costume familiar, sempre tive mania de fotos. Em todos os lugares que vou, sempre levo a câmera pra registrar. Se não é aconselhável, ando só com o celular, mas nunca deixo de fazer as fotos. Estar acostumada à fotografia digital me fez ter um olhar muito trivial sobre as coisas. Tiro inúmeras fotos, sem contar e sem detalhar demais. Depois, como que separando feijões, escolho as melhores. Nem sempre sobram muitas muito boas. Às vezes, por sorte, sobram até mais do que eu esperava. Mas é sempre um enigma. Ao final de um dia de fotos, não sei quantas terão valido à pena.

A questão de não ter muito critérios pra fotografar começou a me incomodar. A isso somou-se a minha paixão por fotos de câmeras analógicas (retrato, com o perdão pelo trocadilho, da minha infância) e a descoberta da lomografia, sobre a qual eu só havia lido pouco. Então decidi comprar minha primeira câmera analógica depois-de-velha. Minha escolha foi a Diana Mini edição especial “Love is in the air”. Motivos muitos: aceita qualquer filme comum, é simples de manusear e já vem com o flash. Além de ser linda! Do pouco tempo que tenho, já vem sido uma experiência magnífica. Ainda não revelei nenhum filme, pra ter noção de como estão as poses registradas, mas já tenho uma certeza: A maioria das fotos, senão todas, será produtiva. E isso porque, por não ter a ferramenta do “apagar”, as fotos são tiradas depois de um mínimo de decisão, de critério, de escolha. A câmera digital representa a quantidade. Mil disparos para um cenário. A lomo representa o olhar atento e devagar. Se o cenário interessa, tudo fica pausado pra que a câmera registre. Há que girar a manivelinha, retirar a tampa da lente, mirar bastante pra enquadrar (literalmente, caber no quadradinho) e então bater a foto. E o processo dura ainda mais. Enquanto as fotos não são reveladas, a “angústia” não acaba. E, abusando novamente dos trocadilhos, esse momento é uma revelação... aquela foto, que você nem lembrava de ter tirado, ficou excepcional. Com a melhor luz, o melhor ângulo, o melhor enquadramento. Ou o contrário, o fracasso estampado. Mas, sempre, um processo de dias, de espera, de aprendizagem, de não imediatismo. Ao mesmo tempo, há que pensar nas desvantagens. Pra quem tem pressa e não tem a disponibilidade de ter o cuidado ao fotografar, a câmera digital é mais do que recomendada.

E assim eu penso que coexistem o amor e paixão. O amor, cheio de cuidados, de hora certa, de espera, de atenção, de demora. A paixão, imediata, numerosa, intensa, sem grande perspectiva futura, quase fugaz. Bobo é quem pensa que os dois sentimentos são a mesma coisa, porém em intensidades diferentes. Se eu saio com minha Canon digital, levo junto minha Diana analógica. Há melhores cenários pra uma e pra outra. Há o momento de tirar cinco fotos correndo. Há o momento de demorar cinco minutos pra uma foto. E assim tento levar dentro de mim a paixão e o amor. Se o momento pede, há que estar apaixonada, que ser apaixonante. Em outros, é melhor que seja amorosa, cuidadosa, afetiva. E assim vou levando. Construindo o cenário de uma vida em papel fotográfico.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Chico - Bastidores - MÚSICA 1 - "Querido Diário"

Minha leitura da primeira música do novo álbum de Chico Buarque, “Chico”, com previsão de lançamento para julho de 2011. Eis “Querido Diário”, sob minha ótica:

[A minha verdade é a verdade absoluta nesse espaço. Opiniões diferentes serão muito bem-vindas, se para somar. Estejam à vontade para discordar, desde que concordem comigo! rs]


QUERIDO DIÁRIO – Chico Buarque

“Hoje topei com alguns

conhecidos meus

Me dão bom-dia [bom-dia], cheios de carinho;

dizem para eu ter muita luz

e ficar com Deus

Eles têm pena de eu viver sozinho”

Eis que Chico se apresenta como o homem solitário, que tem consciência disso, e cujos conhecidos se compadecem. A solidão, entretanto, não parece ser um problema até então. O tom que usa pra dizer que os conhecidos têm pena é quase inocente, de não entender o motivo de tal compadecimento. Outro ponto interessante é que ele se refere às pessoas que o cercam como conhecidos, jamais como amigos. Por outro lado, só se pode afirmar que eles o cumprimentam com “bom dia” e desejo de coisas boas. O afeto é claro, mas a associação com a solidão é feita pelo próprio homem. É muito claro o contraste entre a consciência da solidão e o não entendimento disso como problema.

“Hoje a cidade acordou

toda em contramão

Homens com raiva,

buzinas, sirenes, estardalhaço

De volta à casa, na rua

recolhi um cão

que, de hora em hora, me arranca um pedaço”

Um belo dia, o homem se percebe diferente. A manifestação de sua mudança está em sua própria percepção de mundo. Sua cidade, que, obviamente, não mudou de hábitos da noite pro dia, lhe parece diferente. A contramão é a maior evidência de que nada está no lugar de sempre. A construção de uma história para contar seu sentimento se torna fantástica quando ele insere a figura de um cachorro. Algo que ele acolheu, sem pedir nada, na rua. E a resposta que teve do cão foi a violência. Entretanto, quando diz que o cão lhe arranca um pedaço de tempos em tempos, fica muito claro que isso não lhe incomoda o suficiente para que o cão volte à rua. Seria antecipar demais e tentar achar o verdadeiro significado desse cachorro? Penso que não. Vindo de um Chico eternamente romântico, a imagem do amor e sua descoberta, por parte do homem, é a que mais se encaixa. O cão é a metáfora do novo amor. Ainda parece precipitado? Vejamos:

“Hoje pensei em ter religião

De alguma ovelha, talvez,

fazer sacrifício

Por uma estátua ter adoração

Amar uma mulher sem orifício”

Partindo do pressuposto de que o homem esteja de fato vivendo a experiência de amar, de se apaixonar, pensar em ter religião seria uma forma de buscar autoconhecimento, sentido pra vida e todas essas outras coisas. Ele busca um novo sentido pro existir, que é o que, convenhamos, nos passa a todos quando encontramos novos amores (sejam eles românticos ou não). Em seguida, menciona a possibilidade de fazer o sacrifício de uma ovelha. Nesse ponto, nos remete claramente ao sacrifício mais célebre. O sacrifício em sua origem, a imolação do cordeiro, também visível na figura de Cristo e sua paixão. E aí está a chave. Sacrifício, em seu sentido mais primário, significa paixão. ‘Matar’, abrir mão de algo. É o que ele pensa em fazer em função do novo sentimento que vive. Por fim, “amar uma mulher sem orifício”. Pra mim, a frase mais passível de diversas interpretações. Em uma leitura mais óbvia, pensando na anatomia feminina, uma mulher sem orifício é uma mulher que não existe. Mulher idealizada? Talvez. Mas eu aposto mais alto: uma mulher sem orifício, para ele, seria a mulher amada de forma pura. Nela, a questão sexual não seria o principal atrativo. É por fim o amor que ele descobre. Mas, continuemos:

“Hoje, afinal, conheci o amor

E era o amor, uma obscura trama

não bato nela, não bato

nem com uma flor

mas se ela chora, desejo-me em flama”

Aí está a confirmação do que eu disse lá em cima, no dilema do cão. O amor realmente é o elemento novo que muda a vida do homem. E, para ele, “uma obscura trama”. Essa trama é o sentimento que ele abrigou dentro de si, incondicionalmente, e que não faz diferença que o maltrate. Essa questão do incondicional fica mais explícita em “não bato nela, não bato / nem com uma flor”. Apesar de ‘apanhar’ a todo o tempo, não cogita revidar, rebater de forma alguma. Já usa o gênero feminino. Já está falando da mulher. Já está vivendo o amor. “Mas se ela chora, desejo-me em flama”. Outra frase complicada para análise. A mim parece que é a resposta natural de quem sofre por amor. Ao ver a mulher amada fragilizada, chorando, o prazer toma a condução do que ele sente. Aí já está um pouco mais possível ver o desejo sexual, através da genial sonoridade de “desejo-me em flama”, que, em voz alta, é audível como “desejo me inflama”. E, concluindo:

“ Hoje o inimigo veio,

veio me espreitar

Armou tocaia lá

na curva do rio

Trouxe um porrete, um porrete a "mode" me quebrar

mas eu não quebro não, porque sou macio, viu?!”

O final da música é o arremate que precisávamos pra confirmar tudo o que foi dito anteriormente. O inimigo é o amor que faz sofrer. A antítese mais comum e trivial que há e que, ainda assim, nos atinge e assusta a todos, sempre que acontece. O neologismo “mode” mostra a simplicidade da linguagem utilizada pelo homem. Mas guardemos isso pra depois. A última frase é a minha preferida na música toda. Não quebra porque é macio. E o que é ser macio, nesse caso: ser flexível, ser frouxo, ser forte e resistente? Qual é a verdadeira personalidade do homem?

Aí entra uma leitura um pouco mais ousada. O título “Querido Diário”, na primeira vez que apareceu, me remeteu à inocência de jovens que escrevem pra si mesmos evocando uma segunda pessoa que não é ninguém além de eles mesmos. Essa nuance de inocência me martelou durante todo o tempo em que ouvi a música pela primeira vez. E, realmente, faz sentido. O homem é muito solitário e não vê isso como problema. Seus conhecidos lhe parecem afetuosos, ainda que não sejam amigos próximos. Em um dia qualquer, sem qualquer grande fato, ele se apaixona. O uso da figura do cão é também muito infantil: o comum é que crianças recolham animais na rua e os acolham em casa. E, ainda que aquele cão lhe faça mal, ele é incapaz de abandoná-lo. A busca repentina por um sentido de vida, que, certamente não procurava antes, mostra um amadurecimento no momento em que conta. O amor puro que descobre é tipicamente o sentimento que vai dominá-lo. E assim acontece, quando sofre passivamente, incapaz de ferir a mulher amada. Mostrando a linguagem coloquial que usa o homem, Chico nos conta da simplicidade do mesmo. E assim é confirmada essa linha de pensamento: a descoberta do sentimento pelo homem, em meio à sua simplicidade e inocência.

Uma obra de arte, uma história com milhares de facetas. Um sentido pra cada ouvinte. Isso é Chico Buarque.

Ouçam aqui.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Como deve ser a economia de uma sociedade justa?

Texto de 19/05/2011 - Uma aventura de quem não sabe nada sobre economia:

"Como deve ser a economia de uma sociedade justa?"

O primeiro passo em direção à economia de uma sociedade justa é ter parâmetros claros do que seja justiça em sociedade. Um conceito flutuante, se analisado sob o prisma pessoal, e até conflituoso, quando posto em comunidade. Sob um interesse pessoal, qualquer ação ou ideologia torna-se justa, moldando-se às necessidades do sujeito pensante. Ponhamos então, como conceito de justiça, a mais inocente das concepções: a situação em que todos se respeitam e não há prejudicado, em nenhum setor. Todos têm os mesmos direitos e deveres. Em sociedade, têm valores éticos e morais semelhantes para que não tentem sobrepor-se aos demais, bem como os mesmos conceitos de justiça, em um âmbito mais particular. O que vive cada pessoa é exclusivamente conseqüência de suas próprias atitudes, ou, em pior hipótese, do acaso. Nada que faça um ser humano interfere no que recebe outro, a não ser que haja consentimento. Além disso, o diferente é comum, não há preconceito e nem pressões moralizantes. Adotado este conceito de justiça, ou, mais particularmente, de sociedade justa, vamos à questão central.

A economia justa, em termos utópicos, deveria ser o livre fornecimento de tudo o que carece a sociedade, sem restrições ou desigualdades. Político-economicamente e socialmente, os contrastes máximos permitidos seriam da ordem da vontade de ter o diferente, não da imposição da pobreza ou da privação parcial, como existe hoje. O ideal seria que todos trabalhassem para se manterem. Os bens recebidos já viriam em forma de serviços básicos – alimentação, saúde, educação, transporte – e também em necessidades secundárias – lazer, cultura, vestimenta, etc. O dinheiro, a materialização do Capitalismo, seria material de museus. Todos trabalhariam em jornadas condizentes com suas capacidades, embora recebendo as mesmas coisas. O ócio não seria permitido, à pena do não recebimento do ‘salário’. O governo, de fato composto por representantes do povo, não teria função além de fiscalizar o trabalho e organizar os serviços prestados à população. Eis que já tentaram por em prática esse tipo de sociedade. Sob vários disfarces e bandeiras vermelhas, o comunismo (nome com que foi batizada a grande comunidade igualitária) fracassou. Houve quem acreditasse nessa possibilidade e, deturpando o conceito de governo administrativo, em muitos lugares instalaram-se ditaduras. União Soviética, China, Cuba. Resultaram, desses investimentos fantasiosos, rebentos de dois tipos: os que queriam deixar sua nação, por não acreditarem no modelo econômico que lhes haviam imposto e os que permaneceram cegos na utopia do comunismo. Desses últimos vem a força que ainda têm as tão contraditórias idéias do socialismo.

Uma alternativa para um modelo econômico de uma sociedade justa seria a valoração e o merecimento de cada cidadão. Mais trabalho, mais dinheiro. Maior produção pessoal, maior recompensa. Mas, para essa proposta, é fácil encontrar vários contra-argumentos. A começar pelo mais óbvio: seria capaz um governo composto por homens – detentores de interesses pessoais, idéias equivocadas e conceitos diversos de justiça – de julgar o merecimento? Ou ainda: as pessoas teriam as mesmas ferramentas para exercer o trabalho, de forma a produzir na mesma velocidade, deixando a produção dependente unicamente da quantidade de trabalho? O governo seria capaz de controlar os ‘workaholics’, dispostos a trabalhar o tempo todo para receber mais? É factível dar tanto poder a governantes? As contradições de um modelo econômico de merecimento/poder de controle do governo são suficientes para considerá-lo um erro primário. E assim acontece com a maioria das teorias de modelos econômicos propostas. Contradições óbvias, erros crassos e ignorância do fato de que os seres humanos, expostos a uma liberdade total, são amorais, imorais e até cruéis na busca de seus objetivos.

E que economia praticar? Que modelo seguir? Obviamente sob a sombra de erros também grosseiros e de contradições, surge, como ramo do Capitalismo, o Liberalismo Econômico. Esse modelo, apesar de suas deficiências intrínsecas, mostrou-se a prática menos cruel dentro da realidade da acumulação de bens. Se considerarmos o conceito de justiça proposto no início, é o que mais se aproxima da economia de uma sociedade justa. Sua versão inicial foi, de certa forma, suprimida pelo conceito de Neoliberalismo, enquanto prática auto-suficiente e executável, na medida em que vigora atualmente em vários países, uns muito poderosos e outros nem tanto. Mas isso não é a fórmula suficiente de equalização. Há que, como os grandes políticos da história demonstraram, saber mesclar prós e contras de diversos modelos. Se o Neoliberalismo não está promovendo justiça, como deveria segundo sua teoria, é hora de trazer para a prática novas ações que amenizem o efeito negativo, ainda que tais ações não sejam o que se espera de um liberal. É evidente que, sendo um modelo falho como os outros, sempre existirão os “poréns” e “senãos”. O bom faro para saber manejar de acordo com os ventos que sopram é tão fundamental como o bom-senso para saber os limites que esse poder deve ter. O governo deve ter a participação mínima, embora não inexistente. Por isso, é tão imprescindível que, como dizem os liberais, o governo seja sim, um guia e aparador de arestas, mas que as vontades pessoais e os desejos de cada cidadão valham mais, dentro do que foi cunhado como direitos e deveres do mesmo.

O pragmatismo, nesse contexto, é a melhor explicação para qualquer método que, por ventura, seja eleito o mais adequado a uma sociedade justa: é necessário ter, no mesmo invólucro, a teoria central, que é o rumo que o governo deve seguir, além do respeito às teorias que garantem que o mercado é quase auto-suficiente em sua própria regulação. E, como maior elemento de justiça social, igualdade dos cidadãos perante a lei, além de seu direito a adquirir e ter posse do que possa comprar seu dinheiro.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Confie em mim.

Confiança. O sentimento mais contraditório e mais fundamental em qualquer relação, aquele aval pra continuar, o que nos abre os olhos à cegueira dos boatos e medos, o que nos fecha os olhos à tentação e à rebeldia. Que bonito é quando a doação de alma é sincera a ponto de colocar nas mãos do outro todo um coração, cheio de sentimento. Que lisonjeiro poder receber outro coração e ter a liberdade de cuidá-lo, sem decepcioná-lo. E por que confiamos? Simples. Vemos o outro como a extensão de nós mesmos, com a vantagem de que ele tem uma visão externa de nós. Entregamos a ele nossas vontades, medos, desejos e inseguranças, pra que ele nos ajude a administrar. Entregamos nossa rotina, nossos sonhos, nossas crenças... compartilhamos. A resposta é receber o mesmo. Uma tarefa doce, porém árdua. Receber uma alma para cuidar, uma responsabilidade grande e perigosa. Há que saber que uma alma é sensível, machuca-se a um toque que julgamos ser leve. Um carinho mal feito pode ferir fatalmente a alma que tomamos para cuidar. Um descuido e se espatifa, como um cristal. E com ela, vai-se a confiança, o combustível da relação. E existe relação sem confiança? Que seja saudável, não. É preciso que haja compreensão, respeito, amor. Mas é só confiando que entregamos profundamente o que temos de mais precioso. Só com ela podemos ter fé num futuro em comum. Os planos de uma vida em conjunto de nada valem se o medo prevalecer. Desconfiar é temer. Não há nada pior que criar cenários de traição, ciúmes, mentira e término, sem ao menos saber a procedência do medo.

Por isso, venha a mim com os melhores sentimentos, todos nutridos pela ausência de medo, pela fé de que sou inteira em qualquer relação, com a prova maior de que minha amizade e meu amor só dispenso a quem acredita no meu sentimento. Venha a mim por inteiro, confiante, confiando e confiável. Com paixão. Seja fiel, tenha fé. E acredite. Sempre. Em mim e no que sinto.

terça-feira, 26 de abril de 2011

T.R.E. (Tédio Resultou Em...)

Ansiando Bobagens, Curtindo Doideiras E Fazendo Graça, Há Instintiva Jornada Levando Me Naturalmente Onde Posso Querer Reservadamente Ser Todo Universo Verdadeiramente Xoxo Zunindo... o que já sou em ordem alfabética.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

BLOG SOBRE A VIAGEM

Acessem aqui o blog onde escreverei sobre esses 90 dias em terras espanholas!

sábado, 23 de abril de 2011

I.R.E. (Insônia Resultou Em...)

A Boa Coisa De Estar Fazendo Gracinhas Hoje Incide Justamente Lá Maisoumenos Naquilo Onde Perpetuamos Quase Randômicos: Saindo Totalmente Unicamente Variando Xeretando Zoando o ABC.

domingo, 17 de abril de 2011

Entrevista com o Poeta...

[Texto de 2010]


Martha estava morta. A grande jornalista, à beira da porta do céu:
- Profissão, senhora. – Queria saber São Pedro.
- Jornalista. Mas gostaria de ficar na ala dos gênios.
O Santo explicava que, não que fosse burra, “longe disso”, mas Martha não era bastante genial para ficar por ali.
- Só por um tempo, fico lá por alguns séculos e... – vencera pelo cansaço.

E lá estava ela, desfilando em meio àquelas pessoas. Quase parou em Tom Jobim, bebendo o uísque que deveria ser de Vinícius. Continuou, pois viu, logo ali atrás, sentado meio de lado e com os óculos pendentes na ponta do nariz, quem ela esperava encontrar. Carlos Drummond de Andrade continuava com sua semi-careca, mas já não se podia dizer sua idade. Aliás, como todos ali, reparara Martha. Feliz de não ter mais que mentir suas primaveras, pensou que o tempo ali passava de forma diferente. Engano, o tempo não existia. Tampouco tinha noção de quanto durou o momento em que o poeta ficou apertando sua mão, trêmula e inevitavelmente enrugada.
- Seu Carlos! – e a intimidade foi bem recebida.
- Em que posso ser útil, Martha?

Estava feliz. O que não conseguira em vida, se realizava ali, diante de seus mortos olhos. Iria entrevistar seu grande ídolo e conterrâneo.
- Como foi a chegada do senhor por estas bandas?
- Quando eu morri um anjo vistoso, desses que vivem na luz, disse: “vem, Carlos, abandone esse gauche na vida”. E eu vim. Usei da amenidade que conquistei no fim da vida e me redimi.
- E o que o senhor tem feito desde então?
- “Eu preparo uma canção que faça acordar os homens e adormecer as crianças.” Ainda está por concluir.
- Diga, Drummond, a quantas anda Itabira?
-Sabe, Martha, depois de morto, tudo se vê diferente. Sobretudo porque, o que antes era um quadro doído na parede, agora é visão daqui de cima. As casas continuam entre as bananeiras e as mulheres entre as laranjeiras. Mas ninguém canta mais o amor, não há tempo para isso. Veja só, até em Itabira é difícil haver o tempo de ver a paisagem da janela. E sabe o que mais? Conhecer Teresa, aquela que amava Raimundo e que foi para o convento? Pois então, saiu de lá, arranjou dois filhos e hoje canta na noite pra se sustentar. J. Pinto Fernandes, que não havia entrado na história, entrou com tudo e hoje é um velho rico, dono de metade das lojas do centro de Belo Horizonte.
- E o Rio de Janeiro, poeta?
- Continua lindo, Martha. – E ria-se, rouco como em vida.
- Mas, Carlos, como vai a vida cá em cima?
- Não se acostuma, Martha? Aqui, não perguntamos como está a vida, mas a morte. E não pense que é triste, somos felizes. São poucos os sentimentos que atingimos daqui. Temos uma saudade que não dói, uma nostalgia saudável. Há também a felicidade e o companheirismo. Penso que só. Até a coceira da Herpes Zoster, que me tirava o sono, se foi. É bem boa a morte aqui nesta ala, Marthinha. Já não tenho mais duas mãos e o sentimento do mundo. “Eta morte besta, meu Deus.” – e gargalhava.
- Não se sente um pouco só?
- Veja, estou rodeado de pessoas. “No formigamento das grandes cidades, entre o ronco dos motores e o barulho dos pés e das vozes, o homem pode ser invadido por uma terrível solidão, que o paralisa e o priva de qualquer sentimento de fraternidade ou temor”. Cá em cima, graças a Deus, não temos dessa.
- Deus? Como é sua relação com Ele?
- Ah, Deus é um camarada. Em vida até cheguei a pensar mais profundamente sobre isso, ainda sob o trauma de ter sido criado em meio a um Catolicismo quase repressor. Elaborei sobre o misticismo. Pensei em por que o místico nunca é só... “O místico não está só, pois tem comunicação pessoal e direta com a divindade”. Cheguei a por minha fé em cheque. Hoje não penso mais, e nem as religiões aqui existem. Deus é como um compadre que de vez em quando circula e nos pergunta como estamos. Traz sempre a paz e é iluminado que só ele. Mas é simples, nada além de um amor profundo, que se traduz em felicidade. Estou plenamente tranquilo em Sua presença.
- E a paciência com os poetas mais jovens, o senhor adquiriu?
- Aqui não há mais velho e mais novo, mas continuo um pouco carrancudo se me mandam ler algo. Sobretudo quando se espera que eu louve o que foi lido. Quase sinto preguiça. Sentiria, se vivo.
- O senhor está mais paciente, até está me concedendo esta entrevista.
- Concedo, só porque os mortos não escrevem. Tudo o que eu escrevi e tudo o que você entrevistou para os vivos, foi em vida. Aqui, as conotações são outras.
- A sua poesia morreu com o senhor?
- “A poesia está viva, e sua luz, de tão fulgurante, algumas vezes torna-se incômoda” a quem está vivo.
- Quem são os melhores amigos aqui em cima?
- Todos são amados, mas gostei de reencontrar Mário de Andrade. Bandeira, como sempre, é um querido.
- Com o que se parece o seu céu?
- Ah, se parece muito com uma ilha! Sem Bíblia nem discos, mas cheia de coisas boas e de amigos que contam histórias.
- Nenhuma pedra no caminho?
- Nenhuma!
- E o José? Aquele duro, que nunca morria?
- Está vivo, para variar. Não sabe pra onde ia, eu via daqui. Ainda vive ouvindo: “E agora, José?”, e por isso odeia a lembrança que tem de mim. Mas começo a achá-lo extremamente interessante. A vida boba que levava era fachada pras suas batalhas internas. Penso em ter dó, mas ele agora já começa a achar seu rumo. E nem está mais tão sozinho, e já esboça coerência.
- O senhor está mais otimista pelo que vejo!
- Seus mortos olhos te enganam, Martha. Otimista fui em vida, de forma velada, às vezes. Hoje não posso mais ter esse sentimento, pois, seja otimista ou pessimista, espera-se o futuro. Esse futuro já não me pertence. Nada espero. Com a licença poética necessária, posso dizer que vivo a morte sem maiores pretensões.
- Não entendo, Drummond. Onde está aquele seu olhar quase irônico sobre a vida e as pessoas?
- Não percebes? Daqui vejo tudo bem mais claro, não tenho mais que sobreviver, não é? Sem precisar me defender, todos os escudos tornam-se obsoletos. Há que usar-se um só: a verdade. E não é que, depois de morto e velado, descubro que nada é tão ruim como parece, e que nossas definições são fracamente humanas, desnecessárias?
- Definições? E o senhor se considera modernista?
- Que nada, Martha, isso é coisa lá de baixo. Aqui me chamam de eterno. Há quem morra, há quem viva, há quem se eternize. “Estou nessa” – diz com ar jovial. “Como ficou chato ser moderno, agora sou eterno.”
- O senhor considera, então, que abandonou a vida, os paradigmas e o sofrimento?
- A vida aqui não há, é verdade, mas sempre sobram uns paradigmas para quebrar. Vou trabalhar nisso. “E se não estou mais na idade de sofrer é porque estou morto, e morto é a idade de não sentir mais as coisas, essas coisas?”

Martha viu o poeta entrando em outro estado de êxtase. Pediu uma foto. Estava completa. A entrevista de sua vida, em morte. Já corria para São Pedro, para dizer que podia ir para a ala dos “Jornalistas, Engenheiros, Arquitetos, profissionais liberais, escritores frustrados e gente comum”. Sua visita à ala genial estava genialmente encerrada.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Um ogro chamado Bolsonaro


Eis que, passados quase 30 anos do seu fim, a Ditadura Militar Brasileira ainda exibe um de seus indesejados resquícios. O militar e deputado federal do Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro, mostrou, mais uma vez, a que veio. Em uma entrevista ao programa de humor CQC, o deputado, rebento de Médici, Geisel e companhia, destilou todo o seu preconceito. Segundo ele, homossexuais seriam frutos da criação de pais ausentes, o namoro de um branco com uma negra seria promiscuidade, dentre outras pérolas.

Veja aqui a entrevista.

Alegando ser um firme defensor da moral e dos bons costumes, Bolsonaro caiu no desgosto popular, se tornando assunto muito debatido nas mídias sociais. Há 3 dias, lidera os assuntos mais comentados no twitter, no Brasil. A cantora Preta Gil, que foi quem perguntou ao deputado sobre o que ele achava da relação entre um branco e uma negra, é quem lidera a revolta no twitter. Segundo ela, seu advogado já foi acionado e abrirá um processo contra o Profeta dos Bons Costumes. “Não farei só por mim, mas sim por todos os Brasileiros e Brasileiras que se sentiram ofendidos pelo tal, e caso ganhe, o dinheiro será usado no combate a intolerancia racial, sexual e social, não podemos nos calar, força gente, vamos lutar pela IGUALDADE, pelo RESPEITO estou forte.” disse ela em seu microblog. Outros famosos, encabeçados por Preta, demonstraram sua insatisfação. Luciano Huck demonstrou seu apoio à amiga, também pelo twitter: “feliz um país que tem alguém como vc como cidadã. Lamento por aqueles que votaram neste infeliz q esta onde não deveria estar.” Indagado sobre o assunto, Bolsonaro afirmou que entendeu a pergunta de Preta de forma errada, e que não tem preconceito contra negros, apenas contra homossexuais. Obviamente, ele sabe que o racismo é crime, enquanto o combate à homofobia caminha a passos lentos na esfera judicial. Há, porém, quem esteja entrando com pedidos de avaliação de crime contra os Direitos Humanos.

Há alguns anos, o nosso deputado-ostra, soltou uma de suas memoráveis pérolas. Criticando a política indígena, atacou o então ministro da Justiça, Tarso Genro e criticou uma das lideranças do sateré-maués, presente na audiência: “É um índio que está a solto aqui em Brasília, veio de avião, vai agora comer uma costelinha de porco, tomar um chope, provavelmente um uísque, e quem sabe telefonar para alguém para a noite sua ser mais agradável. Esse é o índio que vem falar aqui de reserva indígena. Ele devia ir comer um capim ali fora para manter as suas origens.”

Tornando-se o maior exemplo de intolerância na esfera pública, Bolsonaro acumula contradições interessantes em seu currículo. Pertence ao Partido Progressista, que, apesar de oriundo da extinta Arena, hoje conta com um discurso muito mais liberal, que prega a eliminação das desigualdades. É também uma pessoa divorcidada, o deputado. Ele, que defende tão veementemente os costumes, adepto de uma prática tão pouco convencional, no lindo mundo da sociedade conservadora. É mesmo um caso a ser estudado, esse complexo (e muito certamente complexado) cidadão.

terça-feira, 29 de março de 2011

Sobre o BBB...

(Já digo a quem não gosta de Big Brother, não leia!)

Todos os anos prometo a mim mesma não assistir o Big Brother. Não por não gostar do programa, eu amo! Porém, assistir se torna uma prisão... me envolvo com os participantes, torço, voto, sofro, e, no final, quem eu gosto nunca ganha. Nesta edição, porém, as coisas mudaram. Apesar de as minhas preferências não estarem na final, o programa foi delas. Protagonizaram as cenas mais amáveis, engraçadas e sinceras. Me divertiram em todas as festas, me emocionaram, me fizeram comprar briga por elas, me encantaram em todos os sentidos! De quem eu falo? Obviamente, Diana Balsini e Natália Castro.

Vou explicar como surgiu essa preferência:
Antes mesmo de o programa começar, nas chamadas, Diana me chamou a atenção por ser o tipo de mulher que me salta aos olhos: independente e maluquinha. Natália, por ser mineira, como eu, e por ser o tipo de mulher que admiro e tento ser: independente, forte e segura. Começado o programa, confesso que logo passei a ter um pouco de preguiça da Diana. As edições a mostravam como a mulher moderna clichê, a que tenta fugir dos padrões. E quanto a Natália, nem pude formar opinião. Só ganhou espaço na edição quando começou a vencer as provas. A primeira semana acabou e eu comecei a assistir o programa além das edições, no pay-per-view. E foi aí que tive a melhor surpresa. De um lado, Diana, segura, engraçada, não se importando com o resto do mundo, e ao mesmo tempo, tão acessível, próxima de quem ela gostava. Uma mistura à princípio impossível, inusitada: um mulherão, uma moleca, um doce de pessoa. De outro lado, Natália, mostrando sua armadura, sua força física e sua sensibilidade incomparável. Como li por aí, um tanque de guerra com o interior todo cor de rosa.

E o tempo passou. Minhas duas participantes preferidas se unindo, pra minha alegria. Duas virginianas sensacionais, me dando a alegria de assistir ao programa, que tinha tudo pra ser a pior edição de todas. Começaram os boatos. Seria um casal se formando? Ou apenas uma amizade colorida? As especulações foram muitas, e se estendem até hoje. Eu mesma cheguei a acreditar num romance entre elas. O que ficou muito claro depois foi que, independentemente do que sintam uma pela outra, é sincero. E é isso que valeu à pena cada dia assistido do programa. A primeira relação sincera da edição, uma das poucas da história do programa. A intimidade que tinham entre si transpôs a tela da televisão. Nós, que assistíamos e gostávamos das duas, começamos a nos sentir próximas e íntimas. Nos demos o direito de criticar, elogiar, opinar, interferir. Quantas noites mal dormidas esperando que algo de novo acontecesse em alguma festa? Quantas dores depois de passar uma noite inteira votando pra que elas permanecessem na casa?

E aí, o dia mais triste de todos chegou. Natália eliminada. Um pouco aliviada por vê-la longe do ninho de cobras que teimava em denegrir a imagem dela, um pouco triste por ver o sonho de ser vencedora acabando, um pouco solidarizada com a dor da Diana em ficar sozinha. Uma hora depois, estava Natália no twitter, sendo extremamente receptiva e simpática! Começou aí a relação próxima que ela tem com os fãs. Culminou com o encontro que promoveu em BH, em que nos recebeu maravilhosamente bem, como se fossemos todos amigos. A simpatia em pessoa, Natália mostrou que, ao vivo, é ainda mais linda, educada, sincera, inteligente.

Enquanto isso, na casa, Diana abriu os olhos para o jogo. Deixando um pouco de lado o “Maravilhoso mundo de Didi”, ficou esperta em relação às pessoas e, mostrando seu caráter firme mais uma vez, não mudou seu comportamento por isso. Se manteve fiel ao que é, estando apenas mais alerta ao que acontecia ao seu redor. Visivelmente sentido a falta de Natália todos os dias, Diana foi avançando no jogo, eliminando os favoritos com quem disputava paredões. E conquistando uma torcida gigantesca.
Entretanto, o dia que ninguém queria chegou. Eliminada da casa em um paredão contra Wesley e Maria (mais um casal montado), Diana reencontrou com Natália no chat pós-paredão. O carinho do reencontro, exibido ao vivo, comoveu todos. Ali se confirmou. O sentimento sincero que apresentavam na casa sobreviveu à distância por um mês e deve se concretizar no mundo real.

O que levarei de Diana e Natália, como participantes do BBB? Muita coisa...
Diana, um caráter inviolável, com suas próprias noções de mundo, suas concepções particulares, seu senso de humor fino e sofisticado, sua beleza incontestável e exótica, sua desorientação encantadora. Irrita os homens que não são suficientes pra ela, irrita as mulheres inseguras, irrita as mulheres invejosas, irrita os que tentam guardar os estúpidos conceitos de bons costumes. Encanta qualquer pessoa que a veja com olhos puros, sem filtros. Apaixona qualquer um que a veja por mais de um dia.
Natália, outra firmeza de caráter impressionante, segurança e maturidade em lidar com as inseguranças, sensibilidade, coragem e humor. Uma beleza de mulher, um sorriso de menina e uns olhos brilhantes de pessoa sonhadora. Irrita os homens que não são fortes como ela, irrita os homens que não recebem idolatria dela. Irrita as mulheres fracas e submissas. Irrita quem a vê como uma autoritária. Encanta qualquer pessoa que tenha a noção de ver além dos esteriótipos. Encanta qualquer pessoa que saiba ver a riqueza de ter sensibilidade e força ao mesmo tempo. Apaixona qualquer um que aprecie uma mulher de verdade.

À princípio, na dupla, Natália seria o pé no chão e Diana o sonho. Mas construíram uma relação ainda mais interessante. As duas têm um único pesinho. Se revezam em segurá-lo. Quando Diana sonha, Natália se faz pé no chão, segurando o peso das duas. Natália, quando ousa sair da sua pose de mulher firme e nos encanta com sua leveza de pensamento, passa o peso pra Diana, que, sendo a mulher que é, agüenta e se faz a segurança da vez. É muito bom saber que, além de torcer para a Diana e torcer para a Natália, pude torcer para as duas como dupla, se equilibrando sempre. E o melhor: levarão a relação para fora da casa vigiada. Sendo assim, a torcida continua. Pela felicidade e sucesso das duas, sempre.

Batman e Robin já foram uma dupla interessante. Depois de Diana Balsini e Natália Castro, não vejo graça nenhuma.

sexta-feira, 18 de março de 2011

TUMBLR

Tá aí meu Tumblr. Mais uma modinha que me pegou de jeito! Acessem :)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Poesia da alma

Minha, da madrugada de 16 de novembro de 2010.


A DESCOBERTA DO CAOS

Essencialmente delicada
ante a capa de dor
Mais que simples morada
seu corpo era escudo ao terror

Da enxurrada à tempestade
cada gota que se pôs na alma
pediu imensa, infinda calma
de não sucumbir ao mal que invade

Que se fora proteção divina
o que dela cuidaria
evitando um filme à retina
Em precaução, à romaria

Mas se bem observara
todo o mal de dentro vinha
e não há volta na linha:
de escura, não volta a ser clara

Ela era o mal que temia
o que evitava a todo momento
ela era o seu próprio tormento


sábado, 8 de janeiro de 2011

FELIZ 2011!

Passadas as festas, venho me redimir do meu sumiço. Não tenho o que alegar. Sobrou-me tempo e disposição, mas por motivos alheios acabei me ausentando do blog, fato que incomoda sobretudo a mim. Muito me lisonjeou saber que outras pessoas também notaram minha ausência.
Desde a última postagem, em novembro, quanta coisa mudou! A começar, o ano e o meu ano. Fiz aniversário, completei duas décadas e estou neurótica com isso. O ano de 2010 terminou maravilhosamente bem, e, apesar de todas as incertezas e problemas comuns, foi um ano ótimo, embora excepcionalmente atípico. Quantas novidades, quantas mudanças, quantas (in)decisões.
Desejo a quem lê, a quem não lê, a todos e a mim mesma o melhor ano que possa haver. Que haja muita saúde, muita alegria, paz, tranquilidade, agitação, cultura, música, festas, comida, bebida, muita fé, amizade, fotos, livros, filmes, realizações e o que os sonhos almejarem. Nada pode ser tão importante quanto a felicidade que temos, recebemos e construímos.
Um ano de muita luz!