"Ora, a leveza não é a simplificação, nem o reducionismo, mas o bom voo que nos permite ver mais longe." Ítalo Calvino

quinta-feira, 31 de março de 2011

Um ogro chamado Bolsonaro


Eis que, passados quase 30 anos do seu fim, a Ditadura Militar Brasileira ainda exibe um de seus indesejados resquícios. O militar e deputado federal do Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro, mostrou, mais uma vez, a que veio. Em uma entrevista ao programa de humor CQC, o deputado, rebento de Médici, Geisel e companhia, destilou todo o seu preconceito. Segundo ele, homossexuais seriam frutos da criação de pais ausentes, o namoro de um branco com uma negra seria promiscuidade, dentre outras pérolas.

Veja aqui a entrevista.

Alegando ser um firme defensor da moral e dos bons costumes, Bolsonaro caiu no desgosto popular, se tornando assunto muito debatido nas mídias sociais. Há 3 dias, lidera os assuntos mais comentados no twitter, no Brasil. A cantora Preta Gil, que foi quem perguntou ao deputado sobre o que ele achava da relação entre um branco e uma negra, é quem lidera a revolta no twitter. Segundo ela, seu advogado já foi acionado e abrirá um processo contra o Profeta dos Bons Costumes. “Não farei só por mim, mas sim por todos os Brasileiros e Brasileiras que se sentiram ofendidos pelo tal, e caso ganhe, o dinheiro será usado no combate a intolerancia racial, sexual e social, não podemos nos calar, força gente, vamos lutar pela IGUALDADE, pelo RESPEITO estou forte.” disse ela em seu microblog. Outros famosos, encabeçados por Preta, demonstraram sua insatisfação. Luciano Huck demonstrou seu apoio à amiga, também pelo twitter: “feliz um país que tem alguém como vc como cidadã. Lamento por aqueles que votaram neste infeliz q esta onde não deveria estar.” Indagado sobre o assunto, Bolsonaro afirmou que entendeu a pergunta de Preta de forma errada, e que não tem preconceito contra negros, apenas contra homossexuais. Obviamente, ele sabe que o racismo é crime, enquanto o combate à homofobia caminha a passos lentos na esfera judicial. Há, porém, quem esteja entrando com pedidos de avaliação de crime contra os Direitos Humanos.

Há alguns anos, o nosso deputado-ostra, soltou uma de suas memoráveis pérolas. Criticando a política indígena, atacou o então ministro da Justiça, Tarso Genro e criticou uma das lideranças do sateré-maués, presente na audiência: “É um índio que está a solto aqui em Brasília, veio de avião, vai agora comer uma costelinha de porco, tomar um chope, provavelmente um uísque, e quem sabe telefonar para alguém para a noite sua ser mais agradável. Esse é o índio que vem falar aqui de reserva indígena. Ele devia ir comer um capim ali fora para manter as suas origens.”

Tornando-se o maior exemplo de intolerância na esfera pública, Bolsonaro acumula contradições interessantes em seu currículo. Pertence ao Partido Progressista, que, apesar de oriundo da extinta Arena, hoje conta com um discurso muito mais liberal, que prega a eliminação das desigualdades. É também uma pessoa divorcidada, o deputado. Ele, que defende tão veementemente os costumes, adepto de uma prática tão pouco convencional, no lindo mundo da sociedade conservadora. É mesmo um caso a ser estudado, esse complexo (e muito certamente complexado) cidadão.

7 comentários:

  1. Algumas palavras sobre Bolsonaro, Preta Gil, Bernardo Hees e o POLITICAMENTE CORRETO http://migre.me/49OAd

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  2. Robinson
    Algumas palavras a menos no seu texto seriam melhor !!!!!!

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  3. Tem gente que se acha inteligente, portador de senso crítico e "diferente" pelo fato de idolizar e apoiar Bolsonaro. São criaturas que acham lindo "ser do contra", "ir contra todos"; acreditam que isso lhes reputa "PERSONALIDADE E OPINIÃO PRÓPRIA". Pobres asnos ignaros!

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  4. Imunidade parlamentar tem limite - circunscreve-se aos atos pertinentes ao ofício congressual. Bolsonaro, há muito, ultrapassou essa linha.

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  5. Serginho, concordo em gênero, número e grau. Se fosse possível concordar mais, concordaria!

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  6. Ele é um ogro mesmo! Não sei como não foi indiciado por todas as declarações preconceituosas que deu no CQC...aliás, saber eu sei! Como em todos os outros casos absurdos e repugnantes que acontecem no Brasil, esse provavelmene será mais um que acabará na IMPUNIDADE PARLAMENTAR.

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  7. Muito legal esse post, só vi agora. É incrível como os brasileiros, mesmo sendo um povo originário das mais diversas raças e crenças, seja um povo ainda tão atrasado no que diz respeito as diferenças.

    Pq ofender um negro é crime e um homossexual não? Qual a diferença? O respeito (ou a falta dele) é um só para todos.

    Algumas pessoas alegarem que o Sr. Deputado possui liberdade de expressão. Corretíssimo. Porém, é possível que uma opinião seja dita com respeito. Eu posso preferir suco de manga sem precisar denegrir ou desmerecer o suco de laranja. Mas as pessoas estão tão acostumadas a seguir, alienadamente, um falso moralismo, que a reflexão passa longe. Sem argumentos, o que sustenta seus discursos são o ataque.

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